Brasil. Entre sequestradores e chantagistas

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Ao que parece também, em não tendo twitter de general de pijama, Lula é mantido em cativeiro contra a vontade de mais da metade do STF, da imensa maioria dos juristas deste país e, graças ao Desembargador (e não plantonista) Rogério Favretto não ter se omitido, Lula parece ter o apoio de parte significativa da desacreditada e magistratura.

A cada dia, fica mais claro quem são os sequestradores de Lula, e o povo espera apenas para saber quais deles serão os últimos carcereiros a serem identificados. Certamente não serão os inteligentes, mas os loucos e ignóbeis. Se há, entre os sequestradores de Lula, uma venalidade comum, eles são bem diferentes na capacidade intelectual. Gilmar Mendes, por exemplo, já abandonou a corja que vigia a porta da cela. Já percebeu que não se sustentará este absurdo por muito tempo e tratou de vestir a constituição ao invés da toga. Não está mais entre os que estarão nus após o repuxo.

Entre os que fazem “greve de fome” e os que voltam das férias em desespero, se revezam os maus a garantir a clausura do ex-presidente, enquanto o povo fica sem o que comer e redobra os turnos de trabalho para poder sobreviver. E é esta toda a jurisprudência que, neste momento, importa. A única ordem que em pouco tempo valerá será a dos famintos e desempregados. Pouco lhes importará, como já mostram as pesquisas, o que são “atos de ofício indeterminados” ou as falsas reformas de um apartamento vira-latas.

A pergunta aos senhores do cárcere é: “Vocês já podem ouvir o povo cantar?” E, de fato, o trumpete já se levanta, em várias cidades do país, e com força maior dos que os martelos de madeira sustentados por um português trôpego e entendimentos caolhos de quem, ao que tudo indica, nunca soube exatamente para onde olhar, e pensa que justiça surge dos seus intestinos.

O que mais impressiona, contudo, não é a desfaçatez dos sequestradores ou a ignorância dos seus capangas de farda. O que impressiona é a audácia dos chantagistas.

Desde que Lula foi preso, uma parte do espectro político brasileiro, alguns sedizentes de esquerda, chantageia desavergonhadamente aqueles que enxergam no ex-presidente não apenas um símbolo máximo de injustiça e luta, mas a possibilidade de recuperação de um futuro para si e para os seus.

“Se não votar no candidato x, Lula nunca será solto” tem o idêntico sentido de “Eu quero um milhão ou você nunca mais verá seu filho”. O mesmo sentido com um detalhe, estes chantagistas não detém a chave da cela de Lula. Ou seja, ainda que se ceda, este neo-golpismo nada pode fazer pelo presidente. Aliás, seus líderes já disseram inúmeras vezes que nada farão, o que torna o golpe do “voto pela liberdade de Lula” um embuste ainda maior.

Não contentes em não se ombrearem na luta e na desobediência civil, tais desaventurados ainda se acham no direito moral de continuar ameaçando aqueles de quem se tirou até mesmo a fé no futuro. “Se não votar no candidato y, a eleição será entre o fascista e o neoliberal”. Imersos em alguma errada noção de democracia, estes bandoleiros políticos têm se notabilizado por métodos semelhantes aos capangas que mantém o corpo de Lula trancafiado. Em quase tudo se parecem, apenas que estes últimos embusteiros tentam receber o resgate sem a mínima chance de entregarem o sequestrado. E isto torna as escolhas políticas do povo ainda mais fáceis.

Cada vez mais clara é a posição do brasileiro humilde, que vai ficando mais pobre numa velocidade ainda maior do que os ministros do vice-governo Temer são interditados pelos mal-feitos e histórias em desacordo com a lei. A solução é Lula e só Lula. Ao invés de servirem de alternativa de luta, a imensa maioria dos candidatos se mostra como dublês de sequestradores ou de carcereiros.

A candidatura Lula não é do PT. Não é o PT que a impele e dá força. Aliás, o PT faz tão somente o que a imensa massa de cidadãos brasileiros indica para todo aquele que tenha olhos e queira ver. Lula é a escolha do povo e ir contra ela – como fazem todos os outros candidatos – é abandonar qualquer noção de representação, democracia ou justiça. Os candidatos da direita nunca tiveram estes termos como norte de suas ações políticas e, portanto, de onde menos se espera, nunca sairá nada.

Era de se esperar, entretanto, uma frente progressista melhor no Brasil. Ávidos e desesperados pelos votos que não têm, prometem o que não podem, ameaçam com a pouca moral que lhes resta, e deixam apenas patente sua parte no golpe contra a democracia. Nem inteligentes, nem leais. Nem democráticos, nem progressistas. Escondem, sob as desculpas de se submeterem ao arbítrio legal, o próprio encanto pelo poder. Só lhes falta o povo. Só lhes faltam os votos.

E como é bem da política, travestem seus interesses em “interesses do povo” ou “da nação”, enquanto só há um partido que se nega a abandonar o que este povo indica. Lula é candidato porque o povo assim quer. Ele, o povo. E que se lembrem todos disto, o que quer que de agora em diante aconteça. É hora de separar o país entre os que estão do lado de trás das barricadas a resistir e aqueles que se fazem de companheiros apenas para baixar a cabeça ao poder

 

Foto: Fernando Horta

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https://jornalggn.com.br/blog/fernando-horta/entre-sequestradores-e-chantagistas-por-fernando-horta

 

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