Brasil em ruínas

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Que tal erguer um hospício sobre os escombros do Museu Nacional?

Um Fla-Flu político insano tomou conta da blogosfera, com ofensas e acusações de todos contra todos, cada facção responsabilizando a outra pela pela desgraça federal.

A tragédia do museu misturou-se ao tiroteio da campanha eleitoral, e o país, que já estava em ruínas, avançou mais um pouco em direção ao abismo da anomia social.

Foi como se as diferentes tribos tivessem recebido ordens para atacar ao mesmo tempo, não deixando pedra sobre pedra para contar no futuro a triste história destes tempos de degradação e barbárie.

Ao mesmo tempo, lá no Acre, o mais alucinado candidato a presidente da nossa história, encenando empunhar uma metralhadora, simplesmente ameaçava fuzilar adversários, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Nem deu manchete na imprensa.

As autoridades se limitaram a lamentar o acontecido e prometeram tomar providências para que a tragédia não se repita, e teve até quem prometeu reconstruir e restaurar o museu, como se isso fosse possível fazer com uma canetada.

Melhor fariam se utilizassem os recursos, que não existem, na construção de um gigantesco hospício na Quinta da Boa Vista sobre os escombros do museu, e colocassem lá dentro todos os que falaram barbaridades suprapartidárias nas últimas 24 horas, em todas as plataformas e latitudes, sem esquecer o bispo-prefeito do Rio, retrato acabado da insanidade em que vivemos.

Se queimaram o nosso passado, pelo menos poderíamos no futuro resgatar um pouco da civilização de cinco séculos que destruímos nos últimos quatro anos, desde a última eleição presidencial, a caminho de uma possível tragédia ainda maior na próxima.

Na entrada do hospício, poderiam colocar uma placa em homenagem póstuma ao finado:

“Aqui jaz a História de um país chamado Brasil que se autodestruiu e ainda está procurando os culpados. Estão todos lá dentro”.

E vida que segue.

  • Ricardo Kotscho, 69, é repórter desde 1964 e já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira em diferentes cargos e funções, de estagiário a diretor de redação.

Foi correspondente na Europa nos anos 1970 e exerceu o cargo de Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República no período 2003-2004 (governo Lula). Em 2008, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Imprensa da ONU.

Tem 19 livros publicados _ entre eles, “Do Golpe ao Planalto _ Uma Vida de Repórter” (Companhia das Letras) e “Explode um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas” (Editora Brasiliense).

 

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Brasil em ruínas: que tal erguer um hospício sobre os escombros do Museu Nacional?

 

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