Publicado en: 2 octubre, 2015

Brasil: Dilma Bolada e a crise política

Por Renato Rovai

Essa história de que Lula está discutindo se lança sua candidatura agora ou daqui a pouco é daquelas notícias que alguém inventa no cafezinho do Congresso e vira manchete de jornais.

1 – O governo Dilma começou a reforma ministerial pelo telhado, mas mesmo de forma atabalhoada pode vir a melhorar a relação com o Congresso e começar a tirar o impeachment da sala de visitas. Jacques Wagner e Ricardo Berzoini juntos são pelo menos umas dez vezes melhores do que Mercadante e Temer.

2 – A perda do ministério da Saúde é algo que pode custar muito mais caro para o país do que para o governo. Se há uma área em que o Brasil vem avançando de forma gradual, mas constante, é essa. Daqui a dez anos se continuasse no mesmo rumo, teríamos uma saúde pública das mais inclusivas do mundo. A descontinuidade que se insinua não só de políticas, mas de ausência de recursos, o que coloca isso em risco.

3 – Ontem a rede política ficou toda cheia de marra por conta da declaração de Jeferson Monteiro, acusando Dilma de ter traído seus 54 milhões de votos e tirando-lhe o apoio de Dilma Bolada. Numa boa, você pode até achar que o Jeferson não deveria ter dito isso, mas pagar de tiozinho moralista e ficar lhe dando conselho e insinuando que ele é dinheirista pega mais mal do que deixar o rapaz fazer o que lhe der na telha.

4 – Eduardo Cunha só ainda não caiu porque a mídia política tradicional brasileira é mais sem vergonha do que ele. Quem tiver dúvida veja a capa do Estadão de hoje. Ao invés de destacar que o deputado que está sendo tratado como chantagista pelos seus parceiros de PMDB e que teve suas contas na Suíça descobertas pelo MP de lá, preferiu criar dois factóides pra atacar Lula e Dilma. Cunha não vira o ano na presidência da Câmara, mas teria caído antes do meio deste ano não fosse a forma como a mídia encoberta seus crimes.

5 – Essa história de que Lula está discutindo se lança sua candidatura agora ou daqui a pouco é daquelas notícias que alguém inventa no cafezinho do Congresso e vira manchete de jornais. Lula pode vir a ser candidato em 2018, mas nunca estaria discutindo isso agora em meio a um quase processo de impechment de sua sucesssora. Tudo bem que há muita gente que considera o ex-presidente um imbecil, mas calma, gente, ele não chega a tanto.

6 – Estamos nos últimos dias para que aqueles que querem disputar eleições municipais mudem de partido político, isso certamente vai fazer com que muita gente mude de barco. A Rede foi a grande surpresa desta reta final. E pescou principalmente em águas do PT, PCdoB e Psol nas principais cidades. O que começa a lhe dar um verniz de partido mais progressista. Esses últimos dias serão importantíssimos principalmente para conter a agonia do PT. O senador Paulo Paim, por exemplo, é um dos que pode deixar o partido e ir para a Rede.

7 – Dilma não cedeu a Lula ao tirar Mercadante. Cedeu a quase todos os articuladores do Congresso. Mercadante estava muito desgastado desde que centralizou toda a reforma ministerial da virada do governo Dilma e se colocou numa posição de dono do governo. Naquele momento ele criou para si uma armadilha impossível de desarmar. Quem é dono do governo tem que resolver tudo. E Mercadante não queria ou não resolvia muita coisa. Ou seja, Dilma tinha que dar um sinal de que de fato estava mudando o governo. O sinal possível era Mercadante fora da Casa Civil.

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Fotoarte: “Jeferson e Dilma Bolada”

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