Publicado en: 19 febrero, 2018

Brasil. Cinco hipóteses para a Intervenção Militar no Rio de Janeiro

Por Ion de Andrade

Sem mais delongas, penso haver cinco hipóteses válidas para explicar a intervenção militar no Rio de Janeiro. Os próximos dias serão decisivos para irmos entendendo o que ocorreu com mais profundidade.

O tabuleiro da política nacional após o golpe e após a maldição do pré-sal é extremamente complexo. O Rio de Janeiro é a um só tempo a sede da Rede Globo, a sede operacional do Pré-Sal e a cidade potencialmente mais explosiva do Brasil pois ali as assimetrias sociais se assentam sobre uma geografia onde as periferias cercam as elites.

​Sem mais delongas, penso haver cinco hipóteses válidas para explicar a intervenção militar no Rio de Janeiro. Os próximos dias serão decisivos para irmos entendendo o que ocorreu com mais profundidade.

  1. A Intervenção como cortina de fumaça para um recuo na Reforma da Previdência

Essa hipótese não exige maiores explicações. Derrotado na Reforma da Previdência o governo criaria um factoide capaz de, por si só, justificar a impossibilidade de levar a matéria a votação, pois, sob intervenção federal a Constituição não pode ser modificada, como a Reforma da Previdência é uma PEC, estaria sacrificada e o governo não figuraria como derrotado.

  1. A intervenção como uma ocupação da cidade potencialmente mais explosiva do Brasil diante de uma Reforma da Previdência líquida e certa.

Nesse caso, a intervenção teria sido disparada assim que o governo fechou o quantitativo suficiente de votos para a aprovação da Reforma. Nesse caso a presença do exército seria o posicionamento prévio de forças militares para conter a fúria previsível do povo numa cidade em que alguns alvos óbvios poderiam ser pesadamente atingidos. Esse cenário exigirá do Exército a repressão de um povo coberto de razão. Aqui a ideia da “suspensão” da intervenção para votar a Reforma da Previdência ganha total sentido.

  1.  A intervenção como preparo para a militarização do golpe

A ocupação do Rio seria um exercício e o preparo de uma militarização geral do Regime, fortalecendo o protagonismo dos militares e aplicando o ideário bolsonariano sob a batuta de Temer.

  1. A intervenção como cartada eleitoral

Nesse caso, após a clareza meridiana de sua tremenda impopularidade, demonstrada por ocasião do carnaval o presidente ilegítimo estaria criando alguma iniciativa política em relação a um dos principais problemas nacionais, a Segurança Pública. A ideia é que tendo sucesso poderia ganhar viabilidade eleitoral.

  1. Libanização da província petroleira

Muitas supostas “blitzkrieg” se tornaram crônicas devido a surpresas que prolongaram o conflito. A ideia aqui é que o imperialismo, interessado em enfraquecer de forma irreversível a governança brasileira sobre o Petróleo criasse no Rio de Janeiro ambiente de caos comparável ao que foi criado no Líbano, no Iraque ou na Líbia. Nesse caso os seus agentes a um só tempo teriam estimulado a intervenção militar no estado e já teriam armado o crime organizado para que tenha poder de fogo suficiente para produzir baixas e perdas ao Exército, perenizando o conflito com o propósito de ajoelhar a cidade.

Cada um desses cenários privilegia a ação de um protagonista ou de um interesse e me parece que até aqui nenhum deles pode a priori ser descartado. O Exército deve estar muito atento para não estar sendo instrumentalizado para fins escusos ou para cenários onde seja jogado contra o povo ou contra um poder criminoso aliado aos inimigos do país e interessado apenas em alimentar o caos.

Os próximos dias dirão para onde caminhamos.

Ion de Andrade

 

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