Publicado en: 16 diciembre, 2015

Brasil: Casa Caiu, Catilina*

Por 247

O que dirá Aécio Neves diante da queda do aliado Eduardo Cunha? Qual será a posição de Paulinho Pelego da Força), que dizia estar disposto a se manter até o fim ao lado do presidente da Câmara? E Carlos Sampaio?

 

Golpe tucano perde Cunha, seu condutor. E agora?

 

Operação Catilinária

O golpe parlamentar engendrado por partidos de oposição, como PSDB, DEM e Solidariedade, contra a presidente Dilma Rousseff sofreu um duro revés, nesta terça-feira 15, com a deflagração da Operação Catilinária, que teve como principal alvo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Investigado por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, Cunha se aliou a políticos como Aécio Neves (PSDB-MG), Agripino Maia (DEM-RN), Paulinho da Força (SD-SP), Mendonça Filho (DEM-PE) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) para tentar emplacar um golpe contra a presidente Dilma Rousseff, travestido pela palavra “impeachment”.

Como um processo de impeachment exige um crime de responsabilidade, inexistente no caso de Dilma, a trama PSDB-Cunha, que ainda poderá levar o vice-presidente Michel Temer ao poder, representa apenas um golpe parlamentar.

Depois desta terça-feira, no entanto, Cunha dificilmente resistirá na presidência da Câmara. Ele já é alvo de um processo no Conselho de Ética, que deve levar à sua cassação – o que só não ocorreu, ainda, em razão das medidas protelatórias.

O que se aguarda, para as próximas horas, são as manifestações dos aliados de Cunha no golpe, como Aécio, Sampaio, Paulinho e Mendonça Filho. Nenhum deles se pronunciou até agora.

O mais provável é que a oposição comece a articular um nome de consenso para a sucessão de Cunha e o mais provável é o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Como Cunha ajudou a esvaziar os protestos do último domingo, a oposição busca um nome limpo para levar adiante uma manobra suja: o golpe contra a democracia. A única certeza é que um impeachment conduzido por Cunha se tornou absolutamente inviável.

 

PS do colaborador:

*Catilina, Lúcio Sérgio

Em Roma, 63 a.C., o cônsul romano Marco Túlio Cícero discursava:

 “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio?”. 

A acusação dirigia-se ao senador Lúcio Sérgio Catilina, acusado de planejar um golpe para derrubar a República romana junto a seus comparsas e tomar o poder. Cícero acusou-o por meio de uma série de discursos, que ficaram conhecidos como “Catilinárias”.

Segundo registros históricos, após o quarto discurso, Catilina estava condenado à morte, mas recusou-se a entregar-se e foi morto em um campo de batalha no ano seguinte.

É com base neste episódio que a Polícia Federal batizou o desdobramento da Operação Lava Jato, a Operação Catilinárias, deflagrada na manhã da terça-feira 15, que atinge as principais lideranças do PMDB.

A ordem veio do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal cumpriu 53 mandados de busca e apreensão, em locais que incluem as residências de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, além escritórios de outras figuras proeminentes do partido, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o senador Edison Lobão (MA) e os ministros Celso Pansera e Henrique Eduardo Alves.

A Procuradoria-Geral da República acusa o deputado de corrupção e lavagem de dinheiro, em um escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras.

CartaCapital

 

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