Brasil: Burguesia não quer ‘Golpe’. Sindicalistas Reforma

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 Movimento Coalizão Indústria-Trabalho para Competitividade e Desenvolvimento.

Empresários negam defender ‘golpe’ e reivindicam política industrial

Entidades patronais e três centrais sindicais de trabalhadores lançaram em São Paulo, o Movimento Coalizão Indústria-Trabalho para Competitividade e Desenvolvimento. O objetivo é pressionar o governo federal pela melhora das condições econômicas que, segundo o grupo, está “estrangulando” a indústria do país, com destaque para a indústria de transformação.

“A indústria de transformação está sendo destruída”, disse Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entidade que lidera a coalizão. Os empresários afirmaram que vão se movimentar para levar suas reivindicações ao governo federal e ao Legislativo. Eles querem políticas que modifiquem os juros para patamares “competitivos no mercado internacional”, os tributos que incidem em “cascata” nos bens produzidos no país e a política cambial.

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, um dos oradores, se declarou «emocionado» e disse que a intenção do grupo é «convencer» o Executivo e o Legislativo de que a indústria de transformação do país «precisa de igualdade competitiva, para que volte a ter a posição que já teve».

Estiveram presidentes no evento os presidentes da Força Sindical (Miguel Torres) e da CGTB (Ubiraci Dantas de Oliveira). O presidente da UGT, Ricardo Patah, não participou e a entidade foi representada na mesa pelo secretário-geral, Canindé Pegado. Segundo o presidente da Força Sindical, “o movimento não nasceu para ser contra ou a favor do governo, mas a favor do Brasil e do emprego”, disse Torres.

Pegado disse que, em suas políticas, o governo favorece a agropecuária em detrimento da indústria. Defendeu tratamento equilibrado aos dois setores.

“Nós precisamos construir uma política industrial no médio e longo prazo”, afirmou Fernando Figueiredo, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em entrevista coletiva de empresários e sindicalistas à imprensa.

O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa reforçou a suposta neutralidade do grupo. “Não estamos contra o governo, temos uma presidente, uma equipe econômica que está fazendo força para trabalhar. O que não dá é que nossos produtos custem mais caro do que qualquer outro lugar, não porque somos incompetentes.» Costa afirmou que os empresários querem mais prazo para o recolhimento de tributos e juros mais baixos. “A indústria de transformação no Brasil precisa continuar existindo, e algumas medidas precisam ser tomadas para isso”.

“Não estamos aqui para derrubar governo, colocar governo, colocar ou tirar ministro. Estamos aqui para pedir atenção ao governo brasileiro, aos nossos dirigentes, para a indústria de transformação”, garantiu Paulo Roberto Butori, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças).

Questionado sobre quais serão as próximas iniciativas do grupo, Pastoriza afirmou ser “uma boa pergunta” e que não há “nada decidido”. “Vamos fazer uma avaliação desse primeiro ato daqui a uns dias e vamos avaliar os próximos passos.”

Os empresários ressaltaram números segundo os quais a participação da indústria de transformação brasileira no PIB caiu de 35% (na década de 1980) para 12% atualmente. Aparentaram concordar com o fato de que o câmbio sobrevalorizado teria sido um dos principais algozes do setor no país nos últimos anos – e acreditam os efeitos positivos da atual valorização do dólar em relação ao real não serão imediatos.

A proposta da UGT, segundo José Roberto Cunha, secretário nacional de Economia da central, é que o governo ajuste e equilibre suas contas no curto prazo. No longo prazo, disse, o governo precisa desenvolver uma política industrial e melhore o sistema educacional do país. “Não há indústria competitiva sem mão de obra qualificada.” Ele disse que a central quer ainda a melhoria de um sistema de infraestrutura, como ferrovias e energias alternativas. “Nós não podemos concordar com esse ajuste (fiscal) do governo”, declarou.

Apesar de membros da coalizão afirmarem que não são «contra nem a favor do governo», o presidente da CGTB manifestou posicionamento mais duro: “Chegamos à conclusão, na reunião da executiva nacional da central, de que com a Dilma não dá mais. Estamos formando a nossa frente popular para defender o Brasil. Falo pela nossa central. A gente vai pra rua até derrubar”, prometeu Ubiraci de Oliveira.

Já a UGT afirmou que a central é contra as medidas provisórias 664 e 665 e que, em relação à manifestação anti-Dilma prevista do dia 12 de abril (de movimentos contra o governo Dilma), a entidade ainda não tomou uma decisão. “Teremos uma reunião na quinta-feira (9) para discutir qual será a participação da UGT.”

 

Foto: Paulo Roberto Butori

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