Brasil. Brumadinho não foi acidente, é crime!

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Voltei a Brumadinho neste sábado.


Uma sofrida retrospectiva do outro crime cometido por mineradoras, em Mariana, me veio à memória.

Vi o local do rompimento da barragem em Córrego do Feijão.

Como uma mineradora coloca o refeitório, sua área administrativa e enfermaria na beira da barragem?

Não consegui compreender como fizeram isso e como nenhum órgão fiscalizador fez nada a respeito.

Como depois do que vivemos em Bento Rodrigues (Mariana) não tinha, de novo, nenhum plano de evacuação e nenhuma sirene tocou?

Quando, após o período do impacto inicial em Mariana, continuamos denunciando, questionando, cobrando a punição dos responsáveis fomos chamados de radicais, isolados, ninguém nos ouvia!

Ninguém ouvia as vítimas!

Éramos acusados de não deixar a Samarco voltar a funcionar e responsabilizados por “gerar desempregos”.

Éramos acusados de “cuidar mais das vítimas do que dos empregos”.

Éramos poucos a dizer que a Samarco era criminosa em atividades oficiais. Depois das selfies muitos políticos sucumbiram ao poder econômico e político exercido pelas mineradoras.

As mineradoras não têm um plano para a preservação da vida, mas têm um plano de controle após os crimes que cometem:

 

A verdade:

1. São elas que controlam as informações sobre desaparecidos e atingidos.

O controle lhe é fundamental para construir a ideia de que o impacto é menor do que a realidade e assim também controlar a comoção pública.

Fazem parecer um processo natural diante de “um acidente”. Não é. Compare os números divulgados a cada dia.

2. Quem controla a área do rompimento e barragens não rompidas continua sendo a mineradora, mesmo comprovada a sua incapacidade de fazê-lo. O Poder Público vai depender das suas informações para atuar.

3. Controlam para que a solidariedade não se transforme em algo mais perigoso pra ela. Contam para isso com todo o sistema que orbita em torno dos seus interesses econômicos, com ramificações em vários Poderes do Estado.

4. Disputam a narrativa do que aconteceu, suas consequências e o futuro. Têm gente especializada e poder econômico para isso.

Colocam em campo pessoas que atuam nisso, mesmo quando não se apresentam como representantes da mineradora.

5. Atuam para isolar, desqualificar e criminalizar lideranças populares, comunitárias, religiosas que não aceitam se corromper e trabalhar a serviço deste sistema.

6. Operam no Poder Legislativo para impedir que este vote projetos que contrariem os seus interesses. Num Estado minerado brasileiro um deputado apresentou o projeto mais radical de todos sabendo que o mesmo não seria aprovado. Já estava combinado.

Já aprendi:

 

– Eles não se importam com a vida das pessoas.

Por isso as sirenes não tocam, as barragens rompem e eles não calculam o que os rejeitos atingirão e destruirão.

– Não há plano de evacuação nem de atendimento aos atingidos. Quem ampara as pessoas são Poder Público e esta fabulosa rede de solidariedade que se forma sem que ninguém faça um chamado oficial.

Foram estas pessoas numa extraordinária rede solidária que vi hoje em Brumadinho ajudando outras pessoas. Abracei pessoas que não conhecia, ouvi o relato de sofrimento de várias famílias.

Será uma longa luta!

* Beatriz Cerqueira é deputada estadual eleita (PT-MG), coordenadora-geral do Sind-UTE-MG e presidenta da CUT/MG

*****

Brumadinho: Não foi desastre. Foi crime!

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O cantor e compositor Milton Nascimento abriu seu show no Mineirão – realizado no sábado, dia 26 – com o ‘hino’ de amor a Minas Gerais em alusão à tragédia de Brumadinho: a canção ‘Para Lennon e McCartney’. Milton ressaltou: «não foi desastre, foi crime» e replicou a frase nas redes sociais. O compositor mineiro de 76 anos comemora os 45 anos do álbum Clube da Esquina nos palcos, em grande turnê pelo país.

A reportagem do jornal  Estado de S. Paulo destaca a efeméride musical dos mineiros: «com as comemorações de 45 anos do álbum Clube da Esquina, de Milton e Lô (1972), em 2017, e de 40 anos do disco Clube da Esquina 2 (1978) no ano passado, surgiu a ideia de reviver essa obra no palco de uma maneira inédita: reunindo as canções dos dois discos.

 A turnê Clube da Esquina estreia em Juiz de Fora, no dia 16 de março, e segue para outras cidades, incluindo Rio, Lisboa, Porto, Zurique, Paris, Amsterdã e Madri.

Em São Paulo, no Espaço das Américas, o primeiro show, no dia 27 de abril, já está com lotação esgotada, e, para a data extra, no dia 28, há poucos ingressos.»

«No repertório, estão canções como Clube da Esquina 2, O Trem Azul, Cais, Cravo e Canela, Maria, Maria e Nada Será Como Antes, além da clássica Para Lennon e McCartney, tirada do disco solo Milton, de 1970 – e que dialoga com essa história. Aliás, foi com Para Lennon e McCartney que Milton abriu seu show no sábado, 26, no Mineirão, como hino de amor a Minas após a tragédia em Brumadinho – e, nas redes sociais, ele replicou a frase:

‘Brumadinho: Não foi desastre. Foi crime!’.

 .

Beatriz Cerqueira: Como a Vale coloca refeitório, administração e enfermaria à beira da barragem e nenhum órgão fiscalizador impede? Brumadinho não foi acidente, é crime!

 

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