Brasil. Bolsonaro no Hospital Albert Einstein

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Saúde de Bolsonaro só piora, mas versão oficial diz que ele está ótimo

Não fala, está numa Unidade Semi-Intensiva (com risco de voltar para a UTI a qualquer momento), sua saúde só deteriora, mas o país está sendo enrolado por uma versão oficial amplificada pelas redes sociais bolsonaristas e a mídia conservadora segundo a qual ele está «ótimo» e todos os agravamentos que sofre desde a cirurgia seriam «esperados». É tudo balela.

Bolsonaro deveria ter tido alta na quarta-feira, 6 de fevereiro, na programação divulgada pelo hospital e pelo governo -ficaria, portanto, nove dias internado. Já está 13 e não tem previsão de alta. Está sem qualquer condição física para o exercício da Presidência da República. Ele sequer fala com as pessoas! Seu vice, o general Mourão, informou na noite desta quinta que não consegue falar com ele, que está incomunicável -só conversa com médicos, outros profissionais de saúde do hospital com a mulher e os filhos.

 (leia aqui).

Mas como o bolsonarismo está transformado Mourão em seu inimigo jurado, é preciso manter o teatro do presidente saudável, enquanto o governo está cada dia mais paralisado.

O que assistimos nessas quase duas semanas foi uma cuidadosa edição que o governo e as mídias conservadoras fizeram dos boletins médicos, (des)informando o país que estava tudo sob controle. O 247, desde a cirurgia, tem alertado que nada está sob controle e que os sinais são de deterioração do quadro de saúde de Bolsonaro.

De fato os boletins médicos permitem essa edição que construiu a versão açucarada da saúde de Bolsonaro e que só agora começa a azedar. Vale a pena examinar cada boletim. Eles contém informações relevantes, mas sua divulgação foi editada diariamente pelo governo, pelas mídias bolsonaristas e pela mídia conservadora corporativa, para iludir o país. Todos podem ser encontrados no site do próprio Albert Einstein, aqui.

Boletim de 28 de janeiro, sobre a cirurgia – Ela «ocorreu sem intercorrências».

29 de janeiro (10h10) – Jair Bolsonaro «apresenta boa evolução clínicocirúrgica».

29 de janeiro (18h10) – o paciente «manteve-se estável durante o dia, sem sangramentos ou qualquer outra complicação».

30 de janeiro – «boa evolução clínico-cirúrgica».

31 de janeiro – «mantém boa evolução clínica».

1 de fevereiro – «quadro clínico estável».

2 de fevereiro – «Mantém-se sem dor, afebril e com exames laboratoriais normais».

3 de fevereiro – «evolução clínica estável».

4 de fevereiro – informou febre e «uma coleção líquida ao lado do intestino na região da antiga colostomia»; mas manteve margem para a «venda» de otimismo oficial: «Está no momento sem dor, afebril, em jejum oral, com sonda nasogástrica e nutrição parenteral exclusiva. Já apresenta movimentos intestinais e teve dois episódios de ​evacuação. Segue realizando exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular no quarto».

5 de fevereiro – «Houve melhora do seu estado de saúde nas últimas 24 horas».

6 de fevereiro – «Evolui com quadro clínico estável, sem dor ou febre, com melhora dos exames laboratoriais e de imagem».

7 de fevereiro – o boletim da pneumonia. A redação, cuidadosa, buscou evidentemente minimizar o quadro: «Apresentou, ontem à noite, episódio isolado de febre sem outros sintomas associados, foi submetido à tomografia de tórax e abdome que evidenciou boa evolução do quadro intestinal e imagem compatível com pneumonia».

A sequência dos boletins, com os recortes feitos acima -os que o governo fez e a mídia conservadora amplificou- tem um fundo claramente esquizofrênico e começou com a própria informação sobre a retirada da bolsa de colostomia.

Uma cirurgia para tal procedimento é «considerada de porte pequeno para médio, não é considerado difícil, e tem duração média de duas a três horas», segundo Fábio Campos, membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia. A cirurgia de Bolsonaro durou quase três vezes mais que o tempo previsto. Mas, exceto pelo 247 e alguns veículos da mídia independente, tudo estava «normal».

Desde a cirurgia, em 28 de janeiro, acumulam-se incidentes e más notícias sobre a saúde de Bolsonaro. Mas se nos fiarmos nos boletins, nas redes sociais do bolsonarismo e na mídia conservadora, Bolsonaro está ótimo.

Se nos fiarmos nos relatos do simpático porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, tudo «está dentro do esperado». É a expressão mais frequente em seus briefings. Já vimos esse filme antes.

 Do Jornalistas pela Democracia 

Foto: «Bolsonaro no Albert Einstein»

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https://www.brasil247.com/pt/blog/91/383223/Saúde-de-Bolsonaro-só-piora-mas-versão-oficial-diz-que-ele-está-ótimo.htm

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