Brasil. Bolsonaro ataca o pai de ex-presidente chilena!

Depois de ofender a memória de Fernando Santa Cruz, ativista de esquerda assassinado durante a ditadura militar, e receber, no Planalto, a viúva de Brilhante Ustra, o coronel torturador, Bolsonaro fez piada, mais uma vez, sobre uma vítima de tortura.

Conversa Afiada

(A presidenta Dilma Rousseff lembra que tortura é crime contra a humanidade!)

O alvo, na manhã desta quarta-feira (4/IX), foi a ex-presidente do Chile e alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Mais cedo, em entrevista coletiva em Genebra, Suíça, Bachelet demonstrou sua preocupação com os retrocessos democráticos do atual governo brasileiro.

«Nos últimos meses, temos visto um encolhimento do espaço cívico e democrático», disse Bachelet, citando também ataques aos defensores de direitos humanos e o aumento da violência policial no Brasil: «temos um aumento significativo da violência policial em 2019», afirmou. «Entre janeiro e junho, apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, 1.291 indivíduos foram mortos pela polícia.»

A ex-presidente chilena também criticou os elogios do presidente Jair Bolsonaro à ditadura militar brasileira.

As críticas foram o suficiente para Jair Messias recorrer ao seu Facebook para ofender Bachelet.

«Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU (…) investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares«, disse Bolsonaro na rede social.

Ele continua:

«Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época.»

Alberto Bachelet, pai da ex-presidente, era general da Força Aérea Chilena.

Ele se opôs ao golpe militar dado por Augusto Pinochet (outro ídolo dos Bolsonaros…) em 11/IX/1973, contra o governo democraticamente eleito do socialista Salvador Allende.

O gal. Alberto Bachelet foi preso e torturado pelo regime de Pinochet. Morreu sob custódia, na Prisão Pública de Santiago, em fevereiro de 1974, aos 50 anos de idade.

Em 2014, dois ex-militares foram condenados pela tortura e morte do general.

Ao sair do Palácio da Alvorada hoje pela manhã, Bolsonaro decidiu ofender a ex-presidente mais uma vez:

«Senhora Michelle Bachelet, se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 1973, entre eles o teu pai, hoje o Chile seria uma Cuba. Eu acho que não preciso falar mais nada para ela. Quando tem gente que não tem o que fazer, vai lá para a cadeira de Direitos Humanos da ONU.»

Segundo Guilherme Amado, colunista da Época, as declarações de Bolsonaro foram recebidas «como uma afronta à forma como o Chile enfrentou os crimes e torturas da ditadura».

O atual presidente do Chile, Sebastián Piñera, também está sendo cobrado para responder Bolsonaro.

Michelle Bachelet ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso.

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https://www.conversaafiada.com.br/brasil/bolsonaro-ataca-o-pai-de-ex-presidente-chilena

 


 

Sobre Alberto Bachelet

Quem foi o pai de Michele Bachelet, cujo assassinato foi defendido por Bolsonaro

247
Nesta quarta-feira (4) Bolsonaro disparou novos ataques, desta vez, defendendo a tortura e morte de Alberto Bachelet, pai da ex-presidente Michelle Bachelet, que foi assassinado a mando do ditador Augusto Pinochet, por se opôr ao regime ditatorial que derrubou Salvador Allende.

Ele foi preso e torturado pelo regime do ditador chileno Augusto Pinochet em 1973. Alberto Bachelet morreu um ano depois, em 1974, em uma prisão da ditadura. Ele tinha 50 anos e sofreu um ataque cardíaco após ter sido submetido a sucessivas torturas físicas e psicológicas.

Alberto Bachelet era general da Força Aérea chilena. Ligado ao presidente Salvador Allende, ele se opôs ao golpe dado por Pinochet, ao contrário de outros oficiais chilenos.

Em 2014, dois ex-militares chilenos foram condenados pela Justiça do país por torturar e causar a morte de Alberto. Eles haviam sido colegas do general dentro das Forças Armadas.

«Me quebraram por dentro, em um momento, me quebraram moralmente —nunca soube odiar ninguém— sempre pensei que o ser humano é a coisa mais maravilhosa desta criação e deve ser respeitado por isso, mas me encontrei com camaradas das Forças Armadas que conheço há 20 anos, meus alunos, que me trataram como um delinquente ou como um cachorro»

Escreveu, da prisão, o general Alberto à sua família.

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https://www.brasil247.com/mundo/saiba-quem-foi-o-pai-de-michele-bachelet-cujo-assassinato-foi-defendido-por-bolsonaro

 


Foto: Michelle Bachelet e o pai Alberto, no início da década de 1970 (Reprodução)

 

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