Brasil. A quadrilha no Governo e a dos cúmplices [Vídeo]

Cunha quer entregar o jogo de Temer e PMDB

Patricia Faermann

Ainda na estratégia de mostrar aos investigadores de que se ele é acusado de comandar esquemas de corrupção nos crimes da Operação Lava Jato, o atual presidente Michel Temer também deverá responder à Justiça, Eduardo Cunha (PMDB) enviou outras e novas perguntas a Temer, o intimando como testemunha, agora na Justiça de Brasília.

O ex-presidente da Câmara e ex-deputado federal pelo PMDB é investigado em várias frentes da Lava Jato. Se em Curitiba, Cunha foi preso por Sérgio Moro pelo esquema de desvios da Petrobras, em Brasília a ação é sobre desvios do FI-FGTS, um desdobramento da primeira.

Assim como o fez no caso sob comando de Moro, no Paraná, Cunha enviou 19 perguntas a Temer, após o intimar como testemunha de seu processo. Em uma delas, chega a perguntar ao presidente da República se ele tem ciência da «vantagem indevida» oferecida ao ministro Moreira Franco.

 De uma só vez, arrolou Temer e Moreira Franco, como pressão política e estratégia de defesa de que, se ele for condenado, dá sinais de que abrirá o jogo do PMDB e levará consigo os caciques do partido.

«Vossa Excelência fez alguma reunião para tratar de pedidos para financiamento com o FI-FGTS junto com Moreira Franco e André de Souza?», questionou Cunha e em seguida: «Vossa Excelência conhece Benedito Júnior e Léo Pinheiro? Participou de alguma reunião com eles e Moreira Franco para doação de campanha? Se a resposta for positiva, estava vinculada a alguma liberação do FI-FGTS?».

 «Tem conhecimento de oferecimento de alguma vantagem indevida, seja a Érica ou a Moreira Franco, seja posteriormente, para liberação de financiamento do FI/FGTS?», perguntou novamente Cunha a Michel Temer.

De acordo com o que foi antecipado pelo GGN, o ex-deputado confirma que a sua intenção com o envio de perguntas é tentar se salvar das investigações e acusações, das quais agora é mira quase que isoladamente.

Michel Temer foi presidente do PMDB de 2001 até 2016. A acusação que tramita na Justiça de Brasília expõe supostas propinas recebidas por Eduardo Cunha em diversos contratos, envolvendo o Fundo FGTS. Com este contexto, o ex-parlamentar dispara:

 «A denúncia trata da suspeita do recebimento de vantagens providas do consórcio Porto Maravilha (Odebrecht, OAS e Carioca), Hazdec, Aquapolo e Odebrecht Ambiental, Saneatins, Eldorado Participações, Lamsa, Brado, Moura Debeux, BR Vias. Vossa Excelência tem conhecimento, como presidente do PMDB até 2016, se essas empresas fizeram doações a campanhas do PMDB. Se sim, de que forma?».

Apesar de arrolar os caciques Moreira Franco e o próprio presidente da República nos questionamentos, o ex-deputado até o momento não confirma uma mudança de postura de aceitar acordos de delação premiada com os investigadores.

 Ainda neste revés, a estratégia do ex-presidente da Câmara também é barrada pelo próprio juiz original da Lava Jato na primeira instância, Sérgio Moro. Nesta segunda (13), em despacho que negava a liberdade da prisão a Cunha, o magistrado de Curitiba chegou a defender o atual presidente Michel Temer como suposta vítima de «reprovável tentativa de intimidação».

 No documento, Moro acusou que o envio das perguntas «tinham, em cognição sumária, por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie de intervenção indevida da parte dele em favor do preso».

 Se seguir a linha preconizada por Sérgio Moro, a Justiça de Brasília também barrará o envio das perguntas a Michel Temer na defesa de Eduardo Cunha. Não restará ao parlamentar outra saída, para manter essas supostas acusações contra outros caciques do PMDB, que não a delação premiada.

Vídeo:A quadrilha no Governo e a dos cúmplices

 Conversa Afiada com Paulo Henrique Amorim

 

 

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