Brasil. A ‘Folha’ e a serpente fascista

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A coluna da ombudsman da Folha de hoje, depois de meses de campanha eleitoral, discute se a candidatura de Jair Bolsonaro merece ser chamada de “extrema-direita” ou não.

Seria cômico, se não fosse trágico, como no velho adágio popular.

Dizem os dirigentes do jornal que só a chamariam de “extremista” se fosse uma das “facções que praticam ou pregam a violência como método político”.

A pergunta óbvia aos atilados editores do jornal é se consideram o candidato – pessoalmente, de viva voz – defender a tortura, pregar uma guerra civil e a morte de 30 mil brasileiros, a esterilização em massa, sugerir que as minorias “se acomodem ou desapareçam”, discriminar abertamente homossexuais – que não o seriam se “levassem um couro” – e negros – “que nem para reprodutor servem” e sugerir que se “metralhem os petistas” já disse o suficiente para para que se afirme que prega «a violência como método político».

Imagine o leitor que fosse o caso de dizer se uma serpente é ou não peçonhenta: está lá a cabeça triangular, as fossetas lacrimais que só elas têm, as pupilas verticais e a cauda que se afila rapidamente, mas ainda assim o tolo, como uma criança, acha o bichinho inofensivo.

Não importa que tenha sacudido seu chocalho por anos a fio e até que já se exibam os efeitos do veneno que inoculou na sociedade, com o apodrecimento do tecido social pelo ódio e pela brutalidade. Ainda cuidam de ser prudentes e “não correr o risco” de serem injusto com a víbora, ainda que isso seja calar, diante de todos, sobre o perigo que correm.

Chama-se omissão e covardia, não de jornalismo o que fazem.

A crítica interna do jornal pondera que acha a Folha e os demais jornais que estão errados, uma vez que “Os principais jornais do mundo, de inegável qualidade, usam variações do conceito de extrema direita (far right, ultraderecha, extrême droite) para definir a candidatura de Bolsonaro. [estranheza minha: que variação, senão a de idioma?]

Os jornais? “The Economist, Financial Times, The Guardian, El País, The New York Times, The Washington Post, Le Monde, Clarín e La Nacion, entre outros“.

Como não disputam nacos de verbas publicitárias ou espaços de poder no Brasil, chamam o bicho pelo nome que o bicho tem.

Ou, pior ainda, porque não estão dominados por um medo que os pudesse tornar covardes.

Para que saibam, já que não são versados em saber se é ou não peçonhenta a cobra, dou mais uma informação: a de que as peçonhentas não botam ovos, como as demais: seu filhotes são chocados em seu ventre e já nascem prontos, com suas presas prontas a paralisar e matar.

A imprensa, o grande antídoto para o fascismo, ajudou a criar as serpentes que irão matar a liberdade.

 

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