Brasil-2016. São mais 500 mil sem trabalho

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No segundo trimestre deste ano, mais 497 mil brasileiros ficaram sem trabalho, batendo o recorde de 11,6 milhões de desempregados, segundo a nova pesquisa divulgada na manhã desta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

É como se estes números alarmantes, que resumem o grande drama social brasileiro, atingindo um número cada vez maior de famílias, não nos dissessem respeito, e fossem os de qualquer outro lugar do mundo, bem longe daqui.

Até o momento em que começo a escrever, às dez da manhã, não houve nenhuma manifestação de líderes de partidos do governo ou da oposição, de sindicatos de trabalhadores ou patronais, dos movimentos sociais ou da sociedade civil.

Tem sido assim sempre, pesquisa após pesquisa, com números sempre crescentes, sem que ninguém faça nada, diga nada, o tempo passando, e nada acontece.

Publicam-se as estatísticas oficiais e silencia-se em seguida, como se ninguém tivesse responsabilidade e compromisso com estes desempregados, como se eles tivessem deixado de ser cidadãos e não fossem mais problema nosso.

Pergunto: qual é até o momento o projeto apresentado por qualquer dos setores citados acima para enfrentar o mais urgente e vital desafio do nosso País?

Enquanto isso, o Congresso Nacional continua em obsequioso recesso _ o terceiro do ano _ , assim como o Judiciário, e no Executivo prossegue a interminável briga por poder, cargos e emendas, cortes de benefícios sociais e aumentos de salários de servidores públicos.

Qual vai ser a primeira liderança a aparecer em público para falar em nome destes deserdados da sociedade, jogados na beira da estrada, sem ter quem se importe com o abandono deles?

Daqui a três meses, sai nova pesquisa do IBGE e, por tudo que vemos, os números do desemprego só tendem a piorar.

Até quando vamos todos ficar de braços cruzados, assistindo a este desmanche do mercado de trabalho, enquanto grandes empresas anunciam seus lucros no mesmo período?

A reação a cada novo recorde do desemprego é a mesma de quem assiste pela TV à previsão do tempo para os próximos dias.

Se vai chover ou fazer sol, se a temperatura vai aumentar ou cair, faça frio ou calor, não posso fazer nada. É como se tudo fosse resultado de uma incontrolável força da natureza, contra a qual nada podemos fazer. Danem-se os prejudicados.

Vida que segue.

 

* Balaio do Kotscho, cabe qualquer assunto. Quem manda é o freguês. Paulista, paulistano e são-paulino, Ricardo Kotscho, 67, é repórter desde 1964. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira, nas funções de repórter, repórter especial, editor, chefe de reportagem, colunista, blogueiro e diretor de jornalismo. É atualmente comentarista do Jornal da Record News e repórter especial da revista Brasileiros

Fotoarte:»O olhar do Kotscho»

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