Publicado en: 24 octubre, 2015

América Latina: Haiti-“Golpe eleitoral em andamento”

Por WálmaroPaz,-Porto Príncipe, Haiti

Presidenciável camponês, Chavannes retira candidatura à presidência do Haiti e denuncia “golpe eleitoral em andamento” seis dias antes das eleições,

Seis dias antes das eleições, o candidato do Kontrapepla (Mutirão de Trabalhadores Camponeses pela Liberação do Haiti), Chavannes Jean-Baptiste, enviou uma mensagem à nação anunciando a retirada de sua candidatura. Desde o início do processo eleitoral, no mês passado, ele denunciava a existência de um “golpe eleitoral em andamento” que seria comandado pelo Core Group – organização formada pela ONU e composta por entidades internacionais e países estrangeiros, incluindo o Brasil.

A comunidade internacional pede a substituição do presidente do Conselho Eleitoral Provisório, Opont, por este não ter aplicado as penalidades previstas em lei aos partidos que usaram de violência para intimidar as pessoas e fraudar as eleições parlamentares que, por conta de tais turbulências, tiveram apenas 18% de participação em todo o país.

A campanha de Jean-Baptiste pautou-se na organização de 60 mil camponeses da Via Campesina para a “resistência ao golpe”. Ele defende um processo eleitoral sem ingerência das “Nações Amigas “(EUA, Brasil, França, Canadá, União Europeia, OEA, ONU) que, segundo ele, decidiram definir o futuro do país caribenho de acordo com seus interesses.

Previsão

Denúncias apontam para o aumento da violência policial na última semana. Duas pessoas foram mortas a tiros em um protesto na cidade de Acaé (a 30 quilômetros da capital) e 18 mortos a machetadas pelo Batalhão de Operações Especiais (BOE), da Polícia Nacional, em Cité Soleil, (cidade satélite de Porto Príncipe). Organizações populares afirmam estar ocorrendo um processo claro de intimidação dos eleitores. Chavannes prevê a reedição de um massacre popular, como o ocorrido em 29 de novembro de 1987, onde morreram centenas de pessoas na capital haitiana. Durante o final de semana, se ouviam tiroteios nas noites de Porto Príncipe e as pessoas não saiam às ruas.

Candidatos da oposição afirmam que a violência está relacionada ao cenário político. As pesquisas eleitorais mudaram de tendência e os candidatos do governo tem poucas chances de chegarem ao segundo turno.

Por tudo isso, em sua nota, Chavannes compara o processo eleitoral do próximo dia 25 a um “ciclone que deverá trazer muitas mortes e desgraças para a população haitiana”.

Continuidade

Apesar dessa retirada estratégica, Chavannes liberou seus partidários para votarem ou não no próximo dia 25. De qualquer forma, os conclamou a continuar organizados na sua luta pelas melhorias da agricultura familiar conquistadas até a gora e pela retomada da feforma agrária, paralisada no país pelo atual governol. E concluiu afirmando que “com a organização continuada teremos um povo livre num país maduro”.

Fotoarte: “Jean Baptiste | Foto: Daiana Valência”

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