Expectativa na Venezuela pela presidência do Mercosul

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Caracas, 12 jul

A passagem da presidência pró tempore do Mercado Comum do Sul (Mercosul), do Uruguai à Venezuela, concentra hoje a atenção de analistas e políticos do país, depois de terminar sem acordo a cimeira de chanceleres do bloco integracionista.

Considerado por muitos observadores o resultado de uma crise interna em um momento delicado do grupo, o debate do tema em Montevidéu, capital uruguaia, reafirmou apenas as posições dos países membros e manteve em suspenso a data da transferência.

As representações diplomáticas do Paraguai e do Brasil opõem-se à cessão, apoiadas pela Argentina, com a alegação de que a instabilidade na nação caribenha, andina e amazônica afetará a negociação do acordo de livre comércio entre os Estados membros “menos a Venezuela” e a União Europeia, reiniciada em maio.

Para o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, Venezuela não cumpre os requisitos democráticos que garantem a legitimidade de sua futura gestão.

O subsecretário geral brasileiro para a América do Sul, Central e o Caribe, Paulo Estivallet de Mesquita, opinou que a administração do presidente Nicolás Maduro descumpre as regras de política comercial e não pode assumir a identificação institucional do Mercosul.

Nesse contexto, somente o Governo do Uruguai, representado por seu ministro de Relações Exteriores, Rodolfo Nin Novoa, manifestou conformidade em entregar a presidência a Caracas, para respeitar os estatutos e cumprir com o protocolo exigido a cada seis meses pelo organismo.

No término da sessão, Nin Novoa declarou aos meios de imprensa que os associados continuarão discutindo e analisando opções para resolver a crise, e comunicou outro encontro na próxima quinta-feira.

A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, que viajou a Montevidéu, não pôde participar da reunião porque, segundo afirmaram as delegações do Brasil e do Paraguai, corresponde aos fundadores do bloco determinar uma posição final.

Assim lhe foi comunicado pelo chanceler uruguaio e o vice-ministro argentino Carlos Foradori, o que foi considerado por Rodríguez como uma manobra orquestrada pela direita latino-americana para comprometer os direitos da Venezuela.

Tal como estabelecem as leis do bloco regional, ao cumprir cada país um semestre no exercício da presidência pró tempore, se realiza a passagem ao sucessor em ordem alfabética.

Não há nenhum outro critério de eleição. Os funcionários do Paraguai e do Brasil só apresentaram desculpas que pretendem desconhecer e prejudicar as normas, enfatizou.

Rodríguez assegurou que há uma investida contra a Venezuela no seio do Mercosul, mas não obstante ratificará os direitos do país a receber a presidência, que se materializará nos próximos dias.

Já se estabeleceram conversas a respeito da data para fazer a transferência efetiva entre os presidentes dos países envolvidos (Maduro e seu homólogo do Uruguai, Tabaré Vázquez). Adiá-la constituiria uma violação aos tratados do Mercosul, insistiu.

A incógnita sobre se Venezuela assumirá a presidência do bloco segue sem resposta definitiva, e Nin Novoa assinalou que há intenções de encontrar o mais rápido possível uma solução que satisfaça a todas as partes.

Venezuela já exerceu essa responsabilidade com êxito, com o próprio Maduro na condição de presidente, de 12 de julho de 2013 a 29 de julho de 2014, última vez que durou quase um ano.

A reunião de ministros de Relações Exteriores foi solicitada em maio passado pelo Paraguai, para analisar a situação nesta nação no marco do Protocolo de Ushuaia, compromisso democrático do Mercosul

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