Alentejo, região sinistrada

A desertificação das regiões do interior do Continente prossegue de forma imparável, apesar do anúncio repetido de medidas para a combater. Com destaque para o Alentejo.

No último meio século, o Alentejo perdeu um terço da sua população, caindo para os 530 mil habitantes em 2001, ou seja, apenas 5 por cento da população em cerca de um terço do território nacional. População em grande parte envelhecida, que sobrevive com uma pensão média mensal de 266 euros (!). A taxa oficial de desemprego é a mais elevada do país, 10 por cento. Dos que trabalham muitos são precários ou recebem o salário mínimo. Conclusão: cerca de um terço dos alentejanos, 180 mil, são pobres, as perspectivas de trabalho são escassas e os mais novos emigram.

É impossível não relacionar esta situação com o que aconteceu há 32 anos. Foi no Alentejo que os conflitos sociais de 1974-75 tiveram efeitos mais profundos sobre o regime de propriedade e sobre as relações entre as classes. Com a onda das ocupações de terras, os ricos fugiram e os pobres assumiram o trabalho nas cooperativas. O Alentejo tornou-se um motor das esperanças populares de uma organização social. Por isso foi também aqui que a contra-revolução actuou de forma mais brutal, no desmantelamento da Reforma Agrária e no restabelecimento da antiga ordem de coisas. Hoje, o Alentejo desertificado e empobrecido é, como há meio século, propriedade de duas mil famílias. São os proprietários da terra, da floresta e da cortiça e embolsam o grosso dos fundos comunitários para a agricultura. Mais poderosos que os antigos latifundiários, vivem de rendas da terra, de subsídios públicos, de aplicações de capitais, do património urbano. O Alentejo volta a ser um foco da luta de classes.

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