Alagoas: Protesto de Trabalhadores Rurais

 

O ministro Pepe Vargas, da pasta do Desenvolvimento Agrário (MDA), retornou mais uma vez a Alagoas, em agenda já recorrente, desta vez para lançar, junto às autoridades locais, o Plano Safra Semiárido 2013-2014. Contudo, a cerimônia que acontecia na quinta-feira (25) no Palácio da Associação Comercial, no bairro histórico de Jaraguá, em Maceió (AL), foi interrompida por palavras de ordem e manifestações dos movimentos sociais.

O tom festivo da cerimônia perdeu lugar para um tom reivindicativo, o que incomodou muitos dos políticos presentes, que não seguraram suas expressões de surpresa e desaprovação. Mais de duzentos trabalhadores rurais ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT), ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam o plenário para se manifestar.

“Enquanto os poderes públicos locais e nacional celebram e comemoram, nós dos movimentos sociais estamos a postos reivindicando a execução da reforma agrária”, afirma Carlos Lima, coordenador da CPT.

Há cerca de um mês, o ministro esteve em Alagoas para tratar de pauta recorrente no Comitê Mediador de Conflitos Agrários, que envolve a compra de quatro áreas emblemáticas no estado para destinação a assentamentos. Até o presente momento, as famílias acampadas nos acampamentos São José (Atalaia), Bota Velha, Cavaleiro e São Simeão (em Murici) continuam aguardando um posicionamento definitivo do Estado brasileiro acerca de seu futuro.

Segundo Josival Oliveira, da Direção do MLST, “o grito por reforma agrária dado antes da fala do ministro foi uma clara demonstração da insatisfação dos agricultores e dos movimentos do campo com a politica de reforma agrária do governo do PT”. Segundo ele, assim como a política de reforma agrária, está a situação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Alagoas. “Chego a comparar com um carro velho, sem freio, sem direção e com uma motorista sem experiência e inabilitada para guiar o carro, mesmo ele (o carro) estando em situação precária”, relativiza.

A manifestação dos movimentos sociais começou antes da fala do ministro Pepe Vargas, com palavras de ordem como “Reforma Agrária: urgente e necessária!”, e permaneceu durante toda a inscrição do mesmo. Faixas com os dizeres “Reforma Agrária, descanse em paz” também fizeram parte da movimentação, que só liberou o ministro para falar após cinco minutos de gritos e palavras de ordem.

 

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