A surda estupidez do fascismo (ou em solidariedade com o C.S. Aturuxo)

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Chegárom-me notícias do ataque fascista ao Centro Social Aturuxo de Boiro. O ataque nom foi reivindicado formalmente por ninguém, mas nom fai falta que tal extremo se cumpra para intuir a natureza e a intencionalidade do covarde acto de sabotagem. O anonimato, aliás, sempre foi umha vaza tremendamente útil para o fascismo. A reacçom utiliza a propaganda do facto sob o manto do anonimato para sementar confusom… e terror. Nom creio que em Boiro isso o conseguissem, porque intuo que ali, mais ou menos, os que vestem a camisola de um bando e os que vestem a do outro, se devem conhecer quase “familiarmente”. Se isto ocorre na comarca da Corunha, onde eu habito, ou na de Ferrol, de onde eu sou natural, comarcas as duas nada pequenas, pois mais ou menos o mesmo deve acontecer no resto das comarcas do País.

O anonimato, para quem assume o triste papel de ponta de lança da contra-insurgência, oferece todas as vantagens no seu jogo sujo. Agora que a etiquetagem das acçons de quem assim age nom é complicada. A arbitrariedade, a nocturnidade, a traiçom… som perfeitos elementos caracterizadores &nbsp do fascismo: sempre brutal, sempre mesquinho, sempre covarde. Também sempre perdedor, e isso é o que temos que ter sempre presente. Perdedor moral eterno, por ser incapaz de construir. O fascismo é o esgoto do pensamento e os seus braços executores, pobres monicreques utilizados como forças de choque do sistema. Millán Astray, um interessante persoeiro ligado involuntariamente à minha vida (e mais ainda à vida de algum companheiro meu) nom tivo grandes méritos na sua existência, fora dos impagáveis serviços que fijo ao regime franquista: quer dizer, méritos humanos propriamente ditos nengum, méritos como carniceiro, que era o seu labor, bastantes. Mas como ideólogo há umha cousa que o fascismo espanhol sempre lhe deverá e nunca lhe reconhecerá de maneira suficiente: que em duas frases foi capaz de fazer a síntese perfeita da essência de qualquer fascismo, o espanhol e qualquer outro. “Viva a morte! Morra a inteligência!” Nem toda a teoria política joseantoniana, nem os mais floridos discursos de Carrero Blanco, nem toda a literatura de Ramiro Ledesma ou de Miguel de Unamuno, que nom era muito melhor ideologicamente do que o indivíduo idólatra da morte antes referido (por muito que algum teime em pô-los em extremos opostos) fôrom capazes de ser assim de esclarecedores.

E porque ao Aturuxo? Perguntarám alguns. E porquê nom? Pergunto eu. Eu no C.S. Aturuxo apenas estivem umha vez, mas essa vez que estivem abondou-me para saber porquê sim foi atacado polas ratas reaccionárias. A razom é singela. É um espaço freqüentado por um número imenso de pessoas, preferentemente juventude. Nele, o idioma normal é o galego, mas nom só. A cultura preferente, em todas as suas expressons é a galega. Simpatizar com a causa galega é normal ali, nom tem um que ter cuidado com o que fala; se o de cinco metros mais aló se incomoda com comentários políticos que che podem custar em qualquer outro lugar a lapidaçom pública é o seu problema, porque sabe que as lógicas infortunadamente habituais no nosso país, ali nom funcionam. Resumindo: é um espaço libertado.

Há umhas semanas estivem naquele espaço libertado, num filo-café, partilhando ideias, argumentos, criaçom, com amigos e amigas da Galiza e de Portugal… Rosa Enríquez, Charo Lopes, Alexandre Teixeira, Alberte Momán, Iolanda Aldrei, Francisco Souto, Alfonso Láuzara… e estivemos a debater sobre “O Medo à Liberdade”, de Erich Fromm. Seria umha premuniçom? Pois mais ou menos. É certo que o medo à liberdade de pessoas e colectivos traz consigo esse espasmo trágico da história chamado contrarrevoluçom. Quando a pretensa extravagáncia se converte em rebeldia e ameaça com alterar sequer um milímetro cúbico de umha imensa e complexa realidade, saltam os alarmes. As cadeias som um refúgio demasiado cálido para alguns.

Eu, como modesto co-impulsionador de um outro espaço libertado, chamado Centro Social Gomes Gaioso, quero dizer às pessoas que fam possível o Centro Social Aturuxo, que tenham valentia (e nom me cabe dúvida de que a terám) e fôlego nestas horas, apesar de que a estupidez tem o caminho demasiado aberto nos tempos que correm para se propagarem surda e brutal polas mentes do nosso povo. Que na realidade as suas demonstraçons de força som expressons de temor e impotência, porque apesar de tê-lo todo a favor em todos estes centos de anos, som incapazes de culminar o seu sonho imperial. E que seguiremos a crescer, nom para criar bolhas anti-mundo, mas para articular plataformas a partir das quais agir e transformar.

Os Centros Sociais som cunhas chantadas na ferida dos que anseiam a paz dos cemitérios, e agora já o sabemos. Isto deve dar-nos mais força.

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