24 anos há espera do pagamento dos salários e indemnizações

O ex-dirigente sindical e trabalhador credor, Álvaro Branco, 70 anos, disse que os trabalhadores e as famílias dos operários entretanto falecidos, têm sido “vítimas de um sistemático bloqueio judicial, onde a interposição de recursos por parte da Segurança Social e a extrema lentidão do aparelho de Justiça impediram o recebimento dos seus créditos”.

Os créditos reclamados pelos trabalhadores correspondem a “salários e a indemnizações, relativos a despedimento colectivo ilícito” ocorrido por ocasião da falência daquelas duas empresas.

Decorridas mais de duas décadas, os trabalhadores “não receberam um cêntimo do activo financeiro de que são co-proprietários”. “Pelo contrário… tiveram de pagar custas judiciais, na esperança de que a culpa não morra solteira”.

Segundo o porta-voz dos trabalhadores, “este sistemático bloqueio judicial é um autêntico caso de polícia e a falta de sentido de justiça só desacredita as instituições democráticas”.

Álvaro Branco afirmou que os trabalhadores estão “dispostos a deslocarem-se para a porta da Segurança Social de Santarém”, entidade que “tem bloqueado sistematicamente o processo de pagamento, interpondo recurso após recurso”. Numa tentativa de vencer “a inércia” em que se encontra o Activo Financeiro destinado ao pagamento dos créditos dos trabalhadores, foram feitas comunicações ao primeiro-ministro e ao ministro da Justiça e do Trabalho e da Segurança Social para que, “no uso das suas competências e responsabilidades, promovam as necessárias diligências para que se dê execução ao Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de Outubro de 2007.

O Mapa de Rateio Final voltou a ser objecto de reclamação por parte da Segurança Social, pelo que, segundo informação recente do Ministério da Justiça, o processo “ficaria dependente da dinâmica dos interesses das partes interessadas e das diligências do Tribunal”.

“Não podemos esperar mais tempo” afirmam os trabalhadores, que solicitaram aos órgãos governamentais “uma reunião a realizar urgentemente, com vista à reposição da Justiça”.

A MDF foi uma das empresas mais lucrativas de Portugal graças à montagens (de que tinha o exclusivo) dos camiões militares franceses Berliet utilizados na guerra colonial.

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