18º Congresso do PCP – Teses de Novembro

Jerónimo de Sousa foi considerado unanimemente pelos jornalistas como um dirigente à altura de um Ál­va­ro Cunhal, com a vantagem de ser uma pessoa afectuosa. Críticas, zero! Afinal o PCP tinha razão ao prever as crises e combater o capitalismo, defendendo com vigor a luta de classes! Em suma, a pequena bur­guesia analista rendeu-se à “coerência operária respon­sável” de que o PCP uma vez mais deu provas!

O discurso inicial do secretário-geral deu o mote: “Fomos, somos e seremos um Partido Comunista digno desse nome”… Ora aqui é que está o busílis da questão. Para lá das juras de amor à pátria e ao marxis­mo-leninis­mo e o uso de uma linguagem radical que deixa embara­çado qualquer esquerdista, será proveitoso para os comu­nistas esclarecer este ponto: o que é isso de ser co­mu­nista? O que os distingue dos vulgares par­tidos pe­queno-burgueses para operários?

Segundo Lenine, são marxistas aqueles que esten­dem a luta de classes ao reconhecimento da necessidade da ditadura do proletariado! Trata-se de unir a prática à teoria revolucionária.

Como é do conhecimento geral, o PCP não defen­de esta tese marxista há dezenas de anos. Parece que é para não assustar os aliados! Mas esta questão conti­nua a ser a pedra-de-toque que distingue comunistas e não comunistas.

Sigamos então as teses aprovadas no congresso do PCP.

PLENA INTEGRAÇÃO NO SISTEMA

1ª Tese. “A principal linha de divisão e fractura de in­­teresses, contradições e confrontos está entre o grande capital económico e financeiro, sectores da média bur­guesia e clientelas políticas e, por outro lado, a maio­ria es­magadora da população portuguesa, trabalhado­res, reformados, pensionistas, jovens, mulheres, intelec­tuais e quadros técnicos, agricultores, pescadores, micro, pe­quenos e médios empresários.”

Convém esclarecer que os jovens e as mulheres não são classes sociais, e que há reformados, pensionistas e intelectuais ricos.

Como se vê, esta tese em que os aliados são mais que muitos, e em que os pequenos e médios empresários representam no tecido empresarial capitalista 98% das empresas em Portugal, 78% do emprego e 52% do produto, é uma tese mirabolante adequada ao siste­ma capitalista, que não representa ruptura nenhuma com o capitalismo, antes submete os trabalhadores ao pa­tronato explorador, ao solicitar um abraço estrangu­lador ao pró­prio inimigo de classe.

Quanto a nós, a contradição principal da sociedade em que vivemos é entre o trabalho e o capital. Os aliados da classe operária, no seu combate à explora­ção capita­lista, e para se encaminhar com segurança no sentido da revolução que ponha fim ao capitalismo, são os trabalha­dores que nada mais possuem além da sua força de tra­balho, e em primeiro lugar todo o pro­letariado pobre das cidades e dos campos.

A classe operária precisa de fazer frente a todos os exploradores e perder a ilusão nos bons patrões, sejam eles pequenos, médios ou grandes.

Contrariamente à tese da “Democracia Avançada para o Século XXl”, os comunistas defendem que a classe operária deve afirmar-se na cena política com o seu programa e reivindicações independentes, e será na medida em que consiga, pela luta, afirmar o seu ca­rácter de classe com interesses próprios, que se ali­nharão os seus aliados e os seus inimigos. A estratégia do PCP sobre uma hipotética e nebulosa “Democracia Avança­da…” integra cinco objectivos: “um regime de liberdade, um Estado democrático, representativo, par­ticipativo e moderno, uma política de democratiza­ção cultural, uma pátria independente e soberana, um desen­volvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica e uma política social que garanta a melhoria das condições de vida do povo.”

Este plano táctico-estratégico, que se integra perfeita­mente na democracia burguesa, constitui um recuo face à sua anterior meta da revolução democrática nacional, que tinha como objectivo o levantamento nacional dos trabalhadores e dos patriotas para a conquista da demo­cracia. Estão pois a andar para trás, ao invés da “dialéc­tica revolucionária” que dizem defender.

É a isto que se resume a ruptura e a perspectiva revo­lucionária do Congresso do PCP: uma política so­cial-democrata e a plena integração no sistema, por mais proclamações de esquerda com que a tentem co­brir. Uma mão-cheia de tarefas para democratizar o regime e o sistema, no lugar de um plano de combate à crise, ao desemprego e ao sistema capitalista.

MEDO DE NÃO DIRIGIR

2ª Tese. “O PCP, reafirmando o seu empenhamento no diálogo, na convergência e cooperação das forças, sectores e personalidades democráticas que, séria e con­victamente, estejam empenhados numa ruptura com a política de direita e na construção de uma alternativa de esquerda no quadro do regime democrático consti­tucional, não está, nem estará, disponível para ser ins­trumento ou cúmplice de um governo ou políticas que mantenham orientações estruturantes da política de direita.”

Falida desde o início a tese de Cunhal sobre a maioria de esquerda com o PS, durante dezenas de anos, pela assunção plena do PS em assumir sozinho os negócios do Estado, o PCP vê-se remetido a uns tíbios convites a imaginárias personalidades democráticas para empa­relharem num sonhado governo de esquerda. Mas logo que aparecem sectores descontentes com a política de Sócrates dentro do PS, caso de Alegre e outros, bem como alianças pontuais do BE com o PS, e que se mo­vimentam pretendendo ser alternativa ao direitismo de Sócrates, o PCP entra em pânico: “ai que me querem roubar eleitores!” Que raio de política de alianças de­fende afinal o PCP? De facto, as suas políticas, como as do BE, de propor a democratização do regime e das instituições, são tão próximas, estão tão dentro do mesmo campo pequeno-burguês reformista que o es­paço para alianças entre eles parece muito pouco pro­vável. Restam então os apelos aos patriotas. Só que es­tes não se mostram interessados nas fantásticas e ine­xistentes rupturas e alternativas de esquerda do PCP.

As alianças são absolutamente indispensáveis a um partido que se reclame do proletariado. Alianças fazem-­-se com aqueles que não pensam exactamente como nós. São os aliados tácticos, para objectivos imediatos, por exemplo, a luta contra o código do trabalho, contra­ o fascismo israelita, ou a luta estratégica para pôr fim ao capitalismo. A condição é só uma: lutar contra o ini­migo comum, aproximar a revolução. O PCP tem medo das alianças porque tem medo de não dirigir e de ir a reboque, e isto revela falta de confiança na sua po­lítica. Mas os partidos existem para servir e não para se servirem.

A TRAIÇÃO AO MARXISMO-LENINISMO

3ª Tese. “Perante os complexos problemas que se ma­­nifestaram na construção do socialismo na URSS, assim como noutros países do Leste da Euro­pa, o PCP expressou compreensão e solidariedade para com os es­­forços e orientações que proclama­vam visar a sua su­peração, alertando simultaneamente para o de­senvol­vimento de forças anti-socialistas e para a es­calada de in­gerências imperialistas, confiando em que existiam for­ças capazes de defender o poder e as conquistas dos tra­balhadores e promover a ne­cessária re­no­vação socia­lista da sociedade. Mas certas medidas tomadas agrava­ram os problemas ao ponto de pro­vocar uma cri­­se ge­ral. O abandono de posi­ções de clas­se e de uma estrei­ta ligação com os traba­lha­dores, a claudica­ção diante das pressões e chanta­gens do im­­perialismo, a penetração em profundi­dade da ideo­logia social-de­mo­crata, a rejei­ção do he­róico patrimó­nio histórico dos comunistas, a trai­­ção de altos respon­sáveis do Par­tido e do Esta­do, de­­sori­entaram e desar­maram os co­­­munistas e as massas para a defesa do so­cialismo, pos­sibilitan­do o rápido de­senvolvimento e triunfo da contra-revolu­ção com a reconstituição do capitalis­mo.”

Foi num ápice, num abrir e fechar de olhos! Estava tudo no melhor dos mundos a construir o socialismo rumo ao comunismo, e uns transviados, zás! Tomem lá capitalismo que é o que está a dar. Que tese mais anedó­tica, se não envolvesse o maior drama do movi­mento ope­­rário no século XX, a maior traição ao mar­xismo-‑leni­nismo, que envolveu não apenas os bu­ro­cratas sovié­ticos, mas também o chamado movi­mento comunista internacional no qual o PCP assumiu papel relevante e cúmplice.

Relembremos a luta de Francisco Martins Rodrigues, que como um gigante se opôs dentro do PCP (quando eram intocáveis os dirigentes revisio­nistas) às teses de Krutchov da passagem pacífica ao socialis­mo, da coe­xistência pacífica com o impe­rialismo, da aliança priori­tária com os partidos social-demo­cratas que envolveu o movimento ope­rá­rio em ilu­sões refor­mistas e lhe cas­trou a com­ba­tivi­dade revo­lucionária, des­viando-o do alvo do po­der. Este apo­drecimento tinha por trás a pu­tre­facção em que mergulhara a URSS e as chamadas democracias de Leste, apodreci­mento que Cunhal foi incapaz de de­nunciar, tão iden­tificado estava com aquele modelo de “socialismo”. Fiéis ao modelo de capitalismo de Estado que confun­dem com socialismo, defende­ram-no até ao fim, ten­do ainda alimentado ilu­sões em Gor­batchov, e na sua glasnost e perestroika, travando esse apoio mesmo à beiri­nha do abismo, quan­do se tornara evidente que a URSS era já cadáver.

Incapazes de perceber que a ditadura do proletaria­do morrera ainda em vida de Staline, que o seu interna­­cionalismo, com a liquidação da Inter­nacional Comu­nista em 1943, derivou para a cons­trução de um Estado de forte componente nacio­nalista, e que o socialismo se sumira nos interesses das novas classes ascendentes, na economia paralela privada, e no refor­ço da direcção da burocracia e dos aparatchiks, os diri­gentes do PCP abra­çaram as teses revisionistas que emanavam da URSS e trans­formaram o Partido num instrumento da pe­quena-burguesia que soterrou a re­beldia operária e o objectivo da revolução socia­lista. Essas ilusões tive­ram o seu expoente e deram os seus frutos no Chile, már­tir do reformismo.

É sintomático ver o PCP apoiar a luta da China, da Coreia do Norte e do Vietname, supostamente con­­­tra o imperialismo e em defesa do “socialismo”, omi­­­tin­do que é o PC Chinês que promove o capitalis­mo no seu país, omitindo que na Coreia evolui uma di­­nastia cari­cata que nada tem de comum com o mar­xismo-leni­nismo. É o desnorte total, a cumplici­dade com todo o tipo de oportunistas, o calar da ver­dade para não fazer o “jogo da reacção”.

Para os muitos combativos homens e mulheres que aspiram ao comunismo e militam nas fileiras do PCP, é hora de questionarem o caminho que os tritura e os conduz ao vazio.

A encontrar uma síntese para o Congresso do PCP, diria: adeus revolução, adeus socialismo!


Traducción al castellano
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18º Congreso del PCP – Tesis de Noviembre&nbsp
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Con un colorido y un entusiasmo inusitado, el congreso del PCP no pasó desapercibido y fue recibido por la prensa con palabras de elogio, por la combatividad, organización y ortodoxia comunista.&nbsp

Jerónimo de Sousa fue considerado unánimemente por los periodistas como un dirigente a la altura de un Álvaro Cunhal, con la ventaja de ser una persona afectuosa. Críticas, cero! Finalmente el PCP tenía razón al prever las crisis y combatir el capitalismo, defendiendo con vigor la lucha de clases! En suma, la pequeña burguesia analista se rindió a la “coherencia obrera responsable” de que el PCP una vez más dio pruebas!&nbsp

El discurso inicial del secretario general afirmó: “Fuimos, somos y seremos un Partido Comunista digno de ese nombre”… He aquí que está el quid de la cuestión. Además de las promesas de amor a la patria y al marxismo-leninismo y el uso de un lenguaje radical que deja avergonzado a cualquier izquierdista, será provechoso para los comunistas aclarar este punto: ¿qué es eso de ser comunista? ¿Qué les distingue de los vulgares partidos pequeño-burgueses para obreros?&nbsp

Según Lenin, son marxistas aquellos que extienden la lucha de clases al reconocimiento de la necesidad de la dictadura del proletariado! Se trata de unir la práctica a la teoría revolucionaria.&nbsp

Como es del conocimiento general, el PCP no defiende esta tesis marxista desde hace decenas de años. Parece que es para no asustar a sus aliados! Pero esta cuestión continúa siendo la piedra de toque que distingue comunistas y no comunistas.&nbsp

Sigamos entonces las tesis aprobadas en el congreso del PCP.&nbsp

PLENA INTEGRACIÓN EN El SISTEMA&nbsp

1ª Tesis. “La principal línea de división y fractura de interesses, contradicciones y enfrentamientos está entre el gran capital económico y financiero, sectores de la mediana burguesia y clientelas políticas y, por otro lado, a mayoría aplastante de la población portuguesa, trabajadores, jubilados, pensionistas, jóvenes, mujeres, intelectuales y cuadros técnicos, agricultores, pescadores, micro, pequeños y medianos empresarios.”&nbsp

Conviene aclarar que los jóvenes y las mujeres no son clases sociales, y que hay jubilados, pensionistas e intelectuales ricos.&nbsp

Como se ve, esta tesis en que los aliados son más que muchos, y en que los pequeños y medianos empresarios representan en el tejido empresarial capitalista el 98% de las empresas en Portugal, el 78% del empleo y el 52% del producto, es una llamativa tesis adecuada para el sistema capitalista, que no representa ninguna ruptura con el capitalismo, sometiendo en lugar de eso a los trabajadores a la patronal exploradora, al solicitar un abrazo estrangulador al proprio enemigo de clase.&nbsp

Para nosotros, la contradicción principal de la sociedad en que vivimos es entre el trabajo y el capital. Los aliados de la clase obrera, en su combate a la exploración capitalista, y para encaminarse con seguridad en el sentido de la revolución que ponga fin al capitalismo, son los trabaja dolores que nada más poseen además de su fuerza de trabajo, y en primer lugar todo el proletariado pobre de las ciudades y de los campos.&nbsp

La clase obrera precisa hacer frente a todos los explotadores y perder la esperanza en los buenos patrones, ya sean pequeños, medianos o grandes.&nbsp

Contrariamente a la tesis de la “Democracia Avanzada para el Siglo XXl”, los comunistas defienden que la clase obrera debe afirmarse en la escena política con su programa y reivindicaciones independientes, y será en la medida en que consiga, por la lucha, afirmar su carácter de clase con intereses propios, que se posicionarán sus aliados y sus enemigos. La estrategia del PCP sobre una hipotética y nebulosa “Democracia Avanzada…” integra cinco objetivos: “un régimen de libertad, un Estado democrático, representativo, participativo y moderno, una política de democratización cultural, una patria independiente y soberana, un desarrollo económico asentado en una economía mixta, moderna y dinámica y una política social que garantice la mejora de las condiciones de vida del pueblo.”&nbsp

Este plan táctico-estratégico, que se integra perfectamente en la democracia burguesa, constituye un paso atrás en relación a su anterior meta de la revolución democrática nacional, que tenía como objetivo el levantamiento nacional de los trabajadores y de los patriotas para la conquista de la democracia. Están pues a andar hacia atrás, al contrario de la “dialéctica revolucionaria” que dicen defender.&nbsp

En esto se resume la ruptura y la perspectiva revolucionária del Congreso del PCP: una política so cialdemócrata y la plena integración en el sistema, por más proclamas de izquierda con que la intenten cubrir. Una gran cantidad de tareas para democratizar el régimen y el sistema, en el lugar de un plan de combate a la crisis, al desempleo y al sistema capitalista.&nbsp

MIEDO DE NO DIRIGIR&nbsp

2ª Tesis. “El PCP, reafirmando su empeño en el diálogo, en la convergencia y cooperación de las fuerzas, sectores y personalidades democráticas que, seria y resueltamente, están empeñados en una ruptura con la política derechista y en la construcción de una alternativa de izquierda en el marco del régimen democrático constitucional, no está, ni estará, disponible para ser instrumento o cómplice de un gobierno o políticas que mantengan orientaciones estructurantes de la política derechista.”&nbsp

Fracasada desde el inicio la tesis de Cunhal sobre la mayoría de izquierda con el PS, durante decenas de años, por la asunción plena del PS en asumir solo los negocios del Estado, el PCP se ve remitido a unos tíbias invitaciones a imaginarias personalidades democráticas para un pacto en un soñado gobierno de izquierda. Pero inmediatamente que aparecen sectores descontentos con la política de Sócrates dentro del PS, caso de Alegre y otros, así como alianzas puntuales del BE con el PS, y que se mueven pretendiendo ser alternativa al derechismo de Sócrates, el PCP entra en pánico: “ay que me quieren robar electores!” Que rayo de política de alianzas defiende entonces el PCP? De hecho, sus políticas, como las del BE, de proponer la democratización del régimen y de las instituciones, son tan próximas, están tan dentro del mismo campo pequeño-burgués reformista que el espacio para alianzas entre ellos parece muy poco probable. Quedan entonces los llamamientos a los patriotas. Sólo que estos no se muestran interesados en las fantásticas e inexistentes rupturas y alternativas de izquierda del PCP.

Las alianzas son absolutamente indispensables a un partido que se reclame del proletariado. Alianzas hacen- -si con aquellos que no piensan exactamente como nosotros. Son los aliados tácticos, para objetivos inmediatos, por ejemplo, la lucha contra el código del trabajo, contra&nbsp el fascismo israelí, o la lucha estratégica para poner fin al capitalismo. La condición es sólo una: luchar contra el ini migo común, aproximar la revolución. El PCP tiene miedo de las alianzas porque tiene miedo de no dirigir y de ir la reboque, y esto revela falta de confianza en su po lítica. Pero los partidos existen para servir y no para servirse.&nbsp

LA TRAICIÓN AL MARXISMO-LENINISMO&nbsp

3ª Tesis. “Ante los complejos problemas que se me la nifestaram en la construcción del socialismo en la URSS, así como noutros países del Este de Europa, el PCP expresó comprensión y solidaridad para con los esfuerzos y orientaciones que proclama van a intentar su superación, alertando simultáneamente sobre el de desarrollo de fuerzas anti-socialistas y sobre la escalada de ingerencias imperialistas, confiando en que existían fuerzas capaces de defender el poder y las conquistas de los trabajadores y promover la necesaria renovación socialista de la sociedad. Pero ciertas medidas tomadas agravaron los problemas hasta el punto de provocar una crisis general. El abandono de posicione de clase y de una estrecha conexión con los trabajadores, la claudicación ante las presiones y chantajes del imperialismo, la penetración en profundidad de la ideologia socialdemócrata, el rechazo del heroico patrimonio histórico de los comunistas, la traición de altos responsables del Partido y del Estado, de sorientaron y desarmaron a los comunistas y a las masas para la defensa del socialismo, posibilitando el rápido desarrollo y triunfo de la contrarrevolución con la reconstitución del capitalismo.”&nbsp

Fue en un ápice, en un abrir y cerrar de ojos! Estaba todo en el mejor de los mundos a construir el socialismo rumbo al comunismo, y unos transviados, zas! Toma capitalismo que es lo que está dando. Que tesis más anedó tica, si no envolviera el mayor drama del moví mento ope rário el siglo XX, la mayor traición al marxismo-leninismo, que implicó no sólo a los burócratas soviéticos, sino también al llamado movimento comunista internacional en el cual el PCP asumió papel relevante y cómplice.&nbsp

Recordemos la lucha de Francisco Martins Rodrigues, que como un gigante se opuso dentro del PCP (cuando eran intocables los dirigentes revisionistas) a la tesis de Krutchov del pasaje pacífico al socialismo, de la coexistencia pacífica con el impe rialismo, de la alianza priori tária con los partidos social-demócratas que envolvió el movimiento operárío en ilu sões refor mixtas y le castró la combatividad revolucionária, desviándolo del blanco del poder. Esta putrefacción tenía por detrás la desomposición en que se hundieron la URSS y las llamadas democracias de Este, podredumbre que Cunhal fue incapaz de denunciar, tan identificado como estaba con aquel modelo de “socialismo”. Fieles al modelo de capitalismo de Estado que confunden con socialismo, lo defendieron hasta al fin, habiendo incluso alimentado ilusiones sobre Gorbatchov y sobre su glasnost y perestroika, manteniendo ese apoyo incluso al lado del abismo, cuando se había hecho evidente que la URSS era ya cadáver.&nbsp

Incapaces de entender que la dictadura del proletariado había muerto aún en vida de Stalin, que el suyo intercionalismo, con la liquidación de la Internacional Comunista en 1943, derivó hacia la construcción de un Estado de fuerte componente nacionalista, y que el socialismo se habia sumido en los intereses de las nuevas clases ascendentes, en la economía paralela privada, y en el refuerzo de la dirección de la burocracia y de los aparatchiks, los dirigentes del PCP asumieron las tesis revisionistas que emanavam de la URSS y transformaron el Partido en un instrumento de la pequeña-burguesía que enterró la rebeldia obrera y el objetivo de la revolución socialista. Esas ilusiones tuvieron su exponente y dieron sus frutos en Chile, mártir del reformismo.&nbsp

Es sintomático ver el PCP apoyar la lucha de China, de Corea del Norte y de Vietnam, supuestamente contra el imperialismo y en defensa del “socialismo”, omitiendo que es el PC Chino quien promueve el capitalisme en su país, omitiendo que en Corea evoluciona una dinastia de caricatura que nada tiene en común con el marxismo-leninismo. Es el desnorte total, la cumplicidad con todo tipo de oportunistas, callar la verdad para no hacer el “juego de la reacción”.&nbsp

Para los muchos combativos hombres y mujeres que aspiran al comunismo y militan en las filas del PCP, es hora de cuestionar el camino que los tritura y los conduce al vacío.&nbsp

Buscando una síntesis para el Congreso del PCP, diría: adiós revolución, adiós socialismo!&nbsp

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