Publicado en: 19 Junio, 2017

Brasil. A prisão do Mineirinho!

Por  eduguim

Em tese, Aécio deveria estar tranquilo. A Justiça brasileira vem sendo boa com os tucanos. Calma, Aécio! Seu silêncio vale ouro. Pergunte ao Azeredo…

Aécio

Dizem por aí que o senador afastado Aécio Neves chorou ao saber que a primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), formada por cinco dos onze ministros, decidiu manter sua irmã presa. Imagina-se que ele tenha repetido o choro após saber que o ministro Marco Aurélio Mello rejeitou enviar ao Plenário da Corte o novo pedido para prendê-lo.

Em tese, Aécio deveria estar tranquilo. A Justiça brasileira vem sendo boa com os tucanos.

Aécio é o segundo ex-presidente do PSDB processado por corrupção sob provas escandalosamente fortes. O primeiro foi Eduardo Azeredo, e a história dele serve para acalmar esse pobre playboy cinquentão que só quer levar a vida “numa boa” bem longe do Estado pelo qual se elegeu sem que nenhum miserável grande veículo de comunicação tenha se ocupado desse ou de outros assuntos importantes para a sociedade saber antes de votar nele.

O ex-governador de Minas Gerais (1995-1999) e ex-presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo foi condenado em 16 de dezembro de 2015, pela Justiça de Minas Gerais, a 20 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro) devido ao seu envolvimento no esquema que ficou conhecido como mensalão tucano, envolvendo desvio de dinheiro de estatais mineiras para sua campanha à reeleição ao governo de Minas em 1998.

O ex-presidente do PSDB foi condenado também a pagar 1.904 salários mínimos. Por se tratar de sentença em primeira instância, Azeredo, que atualmente ocupa cargo na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), pode aguardar recurso em liberdade. Trata-se do primeiro político condenado em ação criminal do mensalão mineiro 17 anos após os crimes ocorrerem.

Em fevereiro do ano passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido ao Supremo Tribunal Federal a condenação do tucano – então deputado federal – a 22 anos de prisão. Azeredo renunciou ao mandato. Como ele perdeu o foro privilegiado, a ação penal no Supremo passou a tramitar na primeira instância.

Na sentença, a juíza Melissa Pinheiro Costa Lage da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, relembra a trajetória política do tucano, que presidiu o PSDB e governou o Estado por quatro anos. Ela questiona a versão de Azeredo, segundo a qual ele desconhecia a existência de desvios de recursos públicos na campanha de 1998, envolvendo agências de publicidade de Marcos Valério Fernandes.

“Ora, acreditar que ele (Eduardo Azeredo) não sabia de nada e foi um simples fantoche seria o mesmo que afirmar que não possuímos líderes políticos, que os candidatos a cargos majoritários são manipulados por seus assessores e coordenadores políticos.”, assinala a magistrada.

Na ocasião, o tucano foi derrotado por Itamar Franco (então do PMDB).

Azeredo foi denunciado pelo desvio de ao menos R$ 3,5 milhões de estatais mineiras por meio das empresas de publicidade de Marcos Valério – esquema conhecido como “valerioduto” e que também abasteceu o escândalo petista anos depois – que cumpre pena de 37 anos de prisão estabelecida pelo Supremo no processo do mensalão petista.

Em março de 2015, quando o caso ainda aguardava para ser julgado em primeira instância, o tucano foi contratado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg),  como diretor executivo e recebe um salário de R$ 25 mil mensais.

Além disso, Azeredo também vinha participando de atividades partidárias e, em julho de 2015 ele subiu ao palco da convenção nacional do partido, da qual participaram os principais nomes da legenda, como o ainda senador e ex-presidente da sigla Aécio Neves.

O ex-senador, ex-deputado, ex-governador e ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo cometeu crimes de corrupção em 1998, foi denunciado pelo Ministério Público em 2005 e só foi julgado e condenado em primeira instância DEZ ANOS DEPOIS, em 2015. Passou-se um ano e meio da condenação e ele ainda não foi julgado em segunda instância, o que, à luz da nova jurisprudência estabelecida pelo STF, ensejaria sua prisão se fosse julgado pela 2ª vez e condenado.

Enquanto absurdos como esse prevalecerem no Brasil, ninguém deveria ser preso sob os argumentos que estão sendo usados. Se a Justiça acha que é aceitável que seja rigorosa com um e leniente – quase cúmplice – com outros, não entendeu ainda que, por mais que se jacte de seus feitos, será sempre um Poder parcial, corrompido, que atua partidariamente.

Essa Justiça tenta condenar o ex-presidente Lula em um prazo em que não conseguiu sequer instaurar ação penal contra Azeredo.

Aí olhamos para o caso Aécio Neves. Todas as condições possíveis e imagináveis para sua prisão estavam presentes. Áudios em que ele conversa com um ministro da Corte que o julgará passando-lhe tarefas transformam o Poder Judiciário em um circo.

Aécio praticamente acusa ministros “tucanos” como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes ao pedir que o Plenário do STF julgasse seu pedido de prisão.

Além disso, há o comportamento do Senado Federal. Se entrar em choque com uma decisão desfavorável do Supremo, produzir-se-á uma crise institucional.

Pode até ser que tenha ficado impossível aliviar com Aécio e ele venha a ser preso, mas todos sabemos quantas delações ele poderá fazer se a boa e velha imunidade tucana às leis não funcionar. Vão fazer com Aécio o que não fizeram ATÉ AGORA com Azeredo? Será porque todos estarão olhando?

Justiça de verdade não pode funcionar só sob vigilância. Não estaremos sempre vigilantes. Ou melhor, a mídia não estará. Fará como fez com Azeredo, que só aparece uma vez a cada dois anos em uma matéria curta de canto de página e depois some.

Azeredo está curtindo a impunidade com salário estratosférico arranjado certamente para pagar o seu silêncio eterno. E tudo que Azeredo sabe, Aécio sabe também. Aliás, provavelmente sabe muito mais. Por isso, Aécio, não se preocupe. A Justiça brasileira só age pra valer contra preto, pobre, prostituta e petista.

PS do colaborador:

Fotoarte: “Nada como um dia após o outro”

 

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http://www.blogdacidadania.com.br/2017/06/calma-aecio-seu-silencio-vale-ouro-pergunte-ao-azeredo/

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