Publicado en: 14 febrero, 2018

Brasil. O jatinho de Huck e o BNDES

Por ​Conversa Afiada - Luis Felipe Miguel

Com dinheiro do BNDES é um “negócio que só pode ser caracterizado como fraudulento: usou linha de financiamento destinada a alavancar o setor produtivo.Ele é um predador que troca qualquer coisa por bufunfa.

 

​Conversa Afiada publica artigo do colUnista exclusivo Joaquim Xavier

Sou um dos poucos que nunca acreditaram que a candidatura de Luciano Huck era pra valer. Minha conclusão partiu do exame, mesmo superficial, da trajetória do desanimador de auditório. Impossível fugir dela.

Huck não passa daqueles predadores que trocam qualquer coisa por bufunfa, notoriedade e celebração. Já falei sobre sua medíocre carreira televisiva, e nada há a acrescentar. Sempre foi movido por dinheiro: filho de pai rico, ingressou no mundo dos tubarões devidamente provisionado pela fortuna da família. Daí pra frente, recheou o cofre graças a amizades escusas, trapaças com verbas oficiais e obediência cega aos ditames da rede Globo.

Sua vidraça é tão exposta que Fernando Brito, do Tijolaço, não precisou de alguns clicks para expor a safadeza do desanimador (que falta faz um Fernando Brito em redações hoje avessas ao jornalismo mais elementar!). Brito chega a ser complacente, talvez com pena de personagem tão rasteira. Diz que a tramoia de Huck para comprar um avião é imoral, embora não ilegal.

É ilegal, sim. O empréstimo do BNDES é destinado a atividades com fins produtivos. Huck embolsou a grana a juros subsidiados para proveito próprio. Digam-me um emprego ou parafuso gerado pelo jatinho luxuoso e então eu calo a boca. Fácil achar a resposta.

Fosse a imprensa brasileira interessada em investigar e apurar, Huck e tantos outros já estariam faz tempo no pelourinho. Um exame em contratos semelhantes do BNDES iluminaria o festival de gatunagem alimentado pelo dinheiro público.

Para defender o colega, uma colunista de O Globo chegou à desfaçatez de afirmar que papelórios iguais ao dele passam dos milhares. Logo, não há o que recriminar. Quando deveria ser o contrário. A informação de Fernando Brito ensejaria, caso houvesse jornalismo sério na mídia fantoche, uma devassa impiedosa nesse tipo de artimanha. Dória que o diga, como bem o jornalista do Tijolaço comprovou em novo artigo.

Huck vai trocar a vida de facilidades e dinheiro a rodo por tamanha exposição? Óbvio que não. Vai deixar o Itaú, propagandas de celulares e a leniência da rede Globo para se submeter à autopsia em seus negócios e amizades de sangue com Aécio, Acciolys, Ronaldos e tantos mais? Pergunte à Angélica e saberá.

O rei da lata a velha entende muito bem que seu império só prospera na escuridão. Seu plano de governo é o mesmo de seu programa de TV: distribuir esmolas para a reforma de Brasílias e Vemaguetes e usar dinheiro público para gargalhar em jatinhos. Nada mais além disso.

Seu maior fiador, o sapo dos sociólogos, tem plena consciência do que se passa. Lá dos jardins da avenue Foch, num apartamento faustoso produto de maracutaias parecidas com as de Huck, FHC pinta e borda. Usa a criatura para exercitar o mister em que é professor: trair. Traiu seus escritos, traiu a mulher, traiu o Brasil. Agora quer trair Alckmin para não perder o costume. Está gagá? Tenho dúvidas. Acho até que atingiu o estado da arte no ofício.

Difícil discordar de sua frase: “Huck tem a cara do PSDB”. Assim como Aécio com seu aeroporto particular, Dória com seu jatinho de R$ 44 milhões e tantos mais no viveiro tucano, o desanimador adora pilantragens aeronáuticas.

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https://www.conversaafiada.com.br/politica/huck-pelo-ares

 

 


Caiu antes de decolar.

O jatinho de Huck cheira a fraude

Luis Felipe Miguel

Para o cientista político e professor, a compra do jatinho por Luciano Huck com dinheiro do BNDES é um “negócio que só pode ser caracterizado como fraudulento: usou linha de financiamento destinada a alavancar o setor produtivo”

 “Uns poucos minutos de exposição ao sol já colocaram o novo pupilo de FHC em má situação para assumir a posição de paladino da ética, aquele que estaria predestinado a unir os ‘homens de bem’ contra os malvados”

O discurso do combate à corrupção tem três vantagens para a direita. Primeiro, desvia a atenção dos conflitos centrais da sociedade. Como consequência, contrabandeia a ideia de que nossos problemas se devem à ação de alguns “frutos podres” e, uma vez que eles sejam eliminados, o sistema passará a operar de maneira virtuosa. Por fim, abre caminho para a demonização do Estado, que aparece como único local em que a corrupção ocorre.

Mas há um problema: a própria elite política da direita costuma ser imensamente corrupta. É necessário um esforço gigantesco de mascaramento para que seus líderes possam parecer como limpos e algum dia a fachada acaba por cair (que o diga Aécio Neves). Por isso, é frequente a busca do outsider, aquele que teria condições de encarnar com alguma verossimilhança, pelo menos por algum tempo, o discurso da moralidade. Foi esse o papel de Collor, em 1989. O exemplo basta para mostrar qual é o estofo desejado para a personagem.

Quando a periferia da elite política conservadora também já está chamuscada demais, o negócio é buscar “o novo”. Daí aparece o empresário, o apresentador de TV. O problema é que eles também duram pouco. Ficam expostos ao “fogo amigo”, no momento em que a direita ainda disputa a escolha de seu candidato, e logo revelam seus pés de barro.

Como ocorreu agora com o jatinho de Huck, adquirido com juro subsidiado, em negócio que só pode ser caracterizado como fraudulento: usou linha de financiamento destinada a alavancar o setor produtivo. Uns poucos minutos de exposição ao sol já colocaram o novo pupilo de FHC em má situação para assumir a posição de paladino da ética, aquele que estaria predestinado a unir os “homens de bem” contra os malvados.

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PS do colaborador:

Fotoarte: “Vôo Cego”

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