Publicado en: 11 noviembre, 2017

Brasil. A hipocrisia desmascarada [Vídeo]

Por  Paulo Moreira Leite - Renato Rovai

O comentário racista do apresentador e âncora William Waack, seu tom risonho e tem certeza da própria impunidade, desmascara o mundo do outro lado do espelho, isto é, do vídeo da TV Globo. Vitima de fogo amigo?

Waack e a hipocrisia desmascarada

Ocupando um dos mais destacados postos da televisão brasileira, a queda de Willian Waack após a divulgação de comentários de óbvio sentido racista está destinada a marcar uma fronteira na cultura brasileira.

Hoje o principal aparelho ideológico de preservação da ordem política vigente – que tem na manutenção da segregação dos afrodescendentes um de seus pilares essenciais – a TV Globo faz da hipocrisia um recurso ideológico particular.

Ao mesmo tempo em que combate todas as políticas de ação afirmativa capazes de permitir a justa reparação devida a população trazida ao país na condição de escrava, cultiva o discurso de que o Brasil abriga um regime de democracia racial no qual a discriminação não teria lugar nem raiz. Conversa mole, ofensiva e humilhante para quem se encontra do lado errado de uma história de tantos séculos, como demonstram as estatística de acesso a escola, aos bons empregos, aos bons bairros e boas universidades.

Mas é uma das bases da ordem social e política do país, que se tenta conservar de qualquer maneira, custe o que custar. Ela garante, no fim das contas, a oferta de uma imensa mão de obra barata para as camadas mais altas – obviamente brancas – da população, que no século XXI usufrui de um conforto com poucos paralelos entre as sociedades de igual padrão socio-econômico.

Numa demonstração da força do preconceito e da conveniência da discriminação racial, os governos Lula e Dilma tiveram de lutar – até no STF – para assegurar a sobrevivência de medidas igualitárias que o país deveria ter adotado há muito mais tempo.

Nesse terreno, a Globo assumiu um papel único para embelezar o racismo com argumentos rebuscados e teses aparentemente sofisticadas. Abriu lugar em seus programas para intelectuais orgânicos da Casa Grande. Descobriu talentos e vocações inesperadas, capazes de construir uma retórica a serviço de uma argumentação de lógica difícil e contudo fantasioso.

Modificou a distribuição de personagens em novelas, para permitir que negros não fossem retratados, somente, como motoristas, cozinheiras e faxineiras. Jornalista com uma formação cultural acima da média, titular de vários prêmios importantes, William Waack cumpria um papel essencial neste debate. Dava um lustro erudito a uma argumentação interesseira.

Pela falta de contato com a realidade, uma estrutura desse tipo possui um ponto frágil, aquela verdade que é preciso esconder, guardar e preservar, sob o risco de fazer o edifício desabar e permitir que todos contemplem a medonha nudez de um Rei mal fantasiado.

Essa verdade é o racismo, essa forma de ódio que constitui uma das pragas tenebrosas da história humana, e pela Constituição brasileira constitui crime inafiancável.

O comentário de William Waack, seu tom risonho, de quem se diverte com a própria agressividade, e tem certeza da própria impunidade, desmascara o mundo do outro lado do espelho, isto é, do vídeo da TV Globo. Por isso tornou-se perigoso. E é sintomático que as piadas e risinhos tenham ocorrido justamente na posse de Donald Trump – dia em que Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, deixava a Casa Branca. Deu para entender?

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https://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/326474/Waack-e-a-hipocrisia-desmascarada.htm

 


 

William Waack foi vítima de fogo amigo?

A Globo já afastou William Waack da apresentação do Jornal da Globo, numa decisão tão contundente quanto rápida. Na nota, disse que “é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações”.

A Revista Fórum se não foi o primeiro veículo a publicar a história, foi um dos primeiros. Porque a história surgiu no Twetter e o redator, Julinho Bittencourt, por um acaso, seguia alguém que teve acesso ao vídeo logo que foi postado.


Antes de autorizar a publicação, assisti ao vídeo algumas vezes. Autorizar uma publicação dessas não é uma decisão fácil. Mas não havia chance de aquele vídeo ter sido editado. A redação da Fórum decidiu então por publicá-lo.

Depois dessa decisão, a apuração continuou. Quem era a pessoa que estava com Waack e que, de certa forma, mesmo constrangido, deu risada da frase racista de Waack? Fórum fez uma matéria para explicar quem era Paulo Sotero.

E fomos dando toda a repercussão do caso, até a queda de Waack que foi prevista neste blogue logo ao final tarde. Quem está na rede há muito tempo, sabe que uma tsunami dessas não pode ser contida nem pela toda poderosa Globo. Foi um massacre.

Mas antes mesmo de Waack cair conversei com uma pessoa que trabalhou na Globo por mais de uma década e que me garantiu ter conversado com alguns colegas da emissora. Sua tese: isso tem cheiro de golpe.

Waack é um profissional caro e chato. Ninguém mais na Globo o suportava. Nem mesmo a audiência. Nem mesmo Ali Kamel. Mas Waack é alguém que tem um certo poder e demiti-lo sem mais nem menos não seria tarefa fácil nem pra Kamel.

Como Waack sempre faz esse tipo de graça canalha, qualquer um que quisesse detoná-lo, saberia que uma pesquisa iria revelar vídeos como este.

Ou ainda, essa pessoa pode ter guardado este vídeo para o momento oportuno.

Ou seja, agora começa uma nova apuração. Quem soltou este vídeo racista de William Waack? E com que interesse?

Não é algo tão difícil de descobrir e pode ser algo tão demolidor quanto o próprio vídeo.

 Renato Rovai

William Waack pode ter sido vítima de fogo amigo da direção da Globo

 


 

 

Vídeo: WILLIAM WAACK, É coisa de preto!, diz apresentador nos bastidores do Jornal da Globo #racismo

Em tempo2, do Facebook do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS):

Esse é o amigo que dá gargalhadas da piada racista de William Waack

Trata-se de Paulo Sotero, um dos principais apoiadores do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em território norte-americano. Ele é diretor do Brazil Center no Woodrow Wilson Center, uma instituição dos Estados Unidos de estudos de geopolítica que levou Moro e Janot aos EUA, diversas vezes para falar sobre: Lava Jato e o Brasil.

Além desses eventos públicos ele organizou reuniões privadas para o juiz Sérgio Moro nos EUA, especialmente Washington.

Vídeo:

 

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