Publicado en: 17 julio, 2018

Brasil. 24ª Foro de São Paulo em Cuba. Esquerda aposta na unidade

Por Osmar Gomes

Foro de São Paulo,se reúne de 15 a 17 de julho em Havana. Declarações de solidariedade a Venezuela, Brasil, Cuba, Bolívia e Nicarágua. Carta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Waldo Mendiluza- Com Prensa Latina e Cubadebate

Representantes de partidos e organizações da esquerda latino-americana e caribenha buscam a partir do domingo (15), em Havana, Cuba, elaborar estratégias que contenham as ações da direita regional, na 24ª reunião anual do Foro de São Paulo.

O Foro de São Paulo, que se reúne de 15 a 17 de julho em Havana, foi criado em 1990. Agrupa mais de uma centena de forças progressistas do continente e se reúne pela terceira vez na ilha (1993 e 2001), em um cenário semelhante ao que o viu nascer há quase três décadas.

Impulsionado por figuras políticas como o líder histórico da Revolução cubana, Fidel Castro (1926-2016), e pelo ex-presidente e fundador do Partido dos Trabalhadores do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Foro de São Paulo surgiu para dar resposta desde a esquerda a desafios como a queda do campo socialista e as consequências do neoliberalismo.

Depois de vários anos com a existência de governos de mudanças e compromisso social na América Latina, a direita voltou ao poder em diversos países, em meio a uma escalada da agressividade dos Estados Unidos, que demonstra a vigência da Doutrina Monroe e seu projeto hegemônico e intervencionista para a região.

Golpes de Estado, cruzadas judiciais e parlamentares, protestos violentos disfarçados de demandas populares e perseguição política fazem parte do arsenal da direita enaltecida por Washington.

Diante do desafio que isto implica, delegados à 24ª reunião do Foro de São Paulo evocam o chamado de Fidel Castro, lançado há 25 anos, quando Havana acolheu a quarta reunião do Foro de Sao Paulo.

‘Que menos podemos fazer e que menos pode fazer a esquerda da América Latina do que criar uma consciência em favor da unidade? Isto deveria estar inscrito nas bandeiras da esquerda. Com ou sem socialismo (…)’, afirmou naquela ocasião.

Precisamente a unidade é o tema que convoca os participantes do encontro anual, que se realizará de 15 a 17 de julho em Havana.

Expectativas da esquerda

A propósito da 24ª reunião do Foro de São Paulo, a Prensa Latina dialogou com representantes do pensamento revolucionário e progressista da região.

Para o cientista político argentino Atilio Borón a reunião se realizará em um cenário de intensa contraofensiva imperialista, que tem como alvos preferenciais produzir a mudança de regime na Venezuela, recrudescer ainda mais os torniquetes do bloqueio a Cuba e isolar o governo do presidente boliviano, Evo Morales.

Igualmente, argumentou, o imperialismo pretende plantar uma cabeça de ponte opositora na Nicarágua, assim como avançar no retorno do Equador à dominação norte-americana com o reingresso dos militares dos Estados Unidos à base de Manta e a ‘liberação’ de Julian Assange da embaixada de Quito em Londres, ‘o que equivale a sua sentença de morte’.

O Foro de São Paulo propiciará igualmente uma discussão fraternal e franca dos acertos e erros dos governos progressistas e de esquerda, para ratificar os primeiros e corrigir os segundos, sublinhou.

De acordo com o coordenador internacional da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, Pablo Sepúlveda, entre as estratégias devem estar: romper o cerco informativo e propor uma ofensiva que frature ainda mais o sistema capitalista e reivindique o socialismo como um modelo de paz e justiça para todas e todos.

Próceres libertadores

Em entrevista à Prensa Latina o embaixador da Bolívia em Cuba, Juan Ramón Quintana, qualificou o Foro de São Paulo como um espaço deliberativo e democrático muito vigoroso, que mantém acesa a chama das ideias libertadoras dos grandes próceres da independência latino-americana.

Quintana recordou figuras chave da emancipação regional como o venezuelano Simón Bolívar e o cubano José Martí.

 

* Waldo Mendiluza é jornalista da redação nacional da Prensa Latina

No blog Resistência

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Denuncia lawfare contra Lula

Gleisi denuncia lawfare contra Lula, o PT e lideranças de esquerda.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, denunciou nesta segunda-feira (16), no Foro de São Paulo, que acontece em Cuba, a perseguição política e judicial, o chamado ‘lawfare’, da qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem sendo vítima e cuja prática vem se espalhando por outros países da América Latina.

“Estamos com outro modelo de intervenção política e econômica nos países latino-americanos. (…) Agora, se utilizam as instituições, que passam a tomar lado na disputa política. Se utiliza o Judiciário, o parlamento, para fazer essas intervenções”, disse Gleisi em coletiva no evento.

Segundo ela, em um primeiro momento o mecanismo judicial e policial é acionado para “construir o descrédito de figuras públicas populares e progressistas sempre com acusações ligadas à corrupção. Induzindo a opinião popular a desacreditar estes líderes”.

“Aconteceu no Brasil, acontece no Equador, também na Argentina, em El Salvador, também no Paraguai… são vários os casos em que isso acontece”, emendou.

O passo seguinte, de acordo com a presidente do PT, é “através dos parlamentos, muitas vezes se dá o golpe para retirar estas lideranças”.

“No caso do Brasil foi explícito o que aconteceu com a presidente Dilma Rousseff”, exemplificou. “E se usa este processo para desestabilizar governos progressistas. Seja para retirá-los do poder ou para impedir que eles voltem”, destacou.

“Isso é um atentado à democracia. E tentam naturalizar, normalizar este tipo de intervenção, já que se dá por questões judiciais e parlamentares. No caso do Brasil é evidente o uso do lawfare, ou seja, a lei como perseguição política do adversário, O presidente Lula é vítima disso, o Partido dos Trabalhadores é vítima disso, e outras lideranças de esquerda também”, denunciou

Carta de Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta, que foi lida no plenário.

“Sempre disse que, se querem disputar conosco, que disputem politicamente, que se candidatem, que nos derrotem democraticamente, se for o caso. Pois não temos medo e sabemos encará-los e discutir com o povo qual é o futuro que ele quer: se é desenvolvimento soberano com justiça social ou o entreguismo e concentração de terra”, afirmou o ex-presidente no texto.

A ex-presidente Dilma Rousseff, por sua vez, disse durante o encontro considerar que seu “crime” e o de Lula foi defender a população mais humilde e soberania dos recursos naturais.

A secretária-executiva do Foro, Monica Valente, afirmou que a reunião deste ano tem importância política e estratégica. “A ideia visionária destes líderes [Fidel e Lula] de construir uma plataforma política anti-imperialista e antineoliberal, junto à ideia de unidade de consenso, parecia uma utopia que jamais conseguiríamos alcançar”, disse em seu discurso inicial.

“Este 24º encontro pode ter a mesma importância histórica dos anos 90, quando caiu o Muro de Berlim”, afirmou Valente.

Expectativas

Para o cientista político argentino Atilio Borón, a reunião se realiza em um cenário de intensa contraofensiva imperialista, que tem como alvos preferenciais produzir a mudança de regime na Venezuela, o recrudescimento ainda maior dos torniquetes do bloqueio a Cuba e isolar o governo do presidente boliviano, Evo Morales. Segundo ele, o Foro vai discutir os erros e acertos dos governos progressistas da região.

Já para o coordenador internacional da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, Pablo Sepúlveda romper o cerco informativo é uma das estratégias da reunião, propondo uma ofensiva que “frature” ainda mais o sistema capitalista.

O chamado pela unidade das esquerdas já havia sido feito há 25 anos por Fidel Castro, quando Havana acolheu a quarta reunião do Foro de Sao Paulo. ‘Que menos podemos fazer e que menos pode fazer a esquerda da América Latina do que criar uma consciência em favor da unidade? Isto deveria estar inscrito nas bandeiras da esquerda. Com ou sem socialismo (…)’, afirmou naquela ocasião.

(*) Com Prensa Latina e Cubadebate 

 

Foto: “La Habana-Foro de São Paulo”

 

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