Publicado en: 13 enero, 2018

América Latina. Equador concede cidadania a Julian Assange

Por Brasil de Fato

Ativista australiano está exilado embaixada equatoriana em Londres há cinco anos e teme ser deportado aos EUA. Participação no 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude em 2016.

 

Assange está refugiado desde junho de 2012

O governo do Equador concedeu, na quinta-feira (11), cidadania ao fundador do portal WikiLeaks, o jornalista australiano Julian Assange.

A decisão foi confirmada pela chanceler do Equador, María Fernanda Espinosa. De acordo com ela, a naturalização fortalece a proteção internacional do jornalista, que passa a ter os mesmos direitos de um equatoriano no exterior.

A ministra afirmou que seu país está buscando “uma solução justa, final e digna” para a situação do ativista no Reino Unido.

Um porta-voz do governo britânico, no entanto, lembrou nesta quinta que o Reino Unido já havia rejeitado o pedido de status diplomático a Assange.

Histórico

O jornalista de 46 anos vive na embaixada do Equador em Londres há cinco anos, desde que se refugiou no local em 19 de junho de 2012.

Assange respondia, desde 2010, às autoridades da Suécia por uma acusação de estupro. Em maio de 2017, a justiça do país arquivou o processo.

Apesar do arquivamento, o ativista permanece exilado porque corre risco de ser preso devido ao fato de não ter comparecido à corte de Westminster quando foi intimado, em junho de 2012.

O ativista se recusa a se render às autoridades por temer ser deportado aos Estados Unidos, caso abandone a embaixada equatoriana.

Isso porque ele publicou, por meio do Wikileaks, site que fundou em 2006, milhares de documentos com informações confidenciais do Departamento de Estado e das Forças Armadas estadunidenses.

As informações vazadas vão desde violações cometidas nas guerras do Iraque e do Afeganistão até espionagem em grande escala feita pelo governo dos EUA.

Brasil

Julian Assange participou por videoconferência do 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude em 2016

O australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks (organização sem fins lucrativos que reúne ciberativistas de todo o mundo e publica informações confidenciais vazadas de governos e empresas), participou de videoconferência com os jovens do 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude. O evento aconteceu em setembro de 2016- Belo Horizonte (MG)

Julian fez um comparativo do monitoramento dos EUA às redes mundiais de internet. Para ele, o poder que o imperialismo exerce é o equivalente ao de verdadeiros “deuses”, segundo as próprias palavras de Assange.

“Ao monitorar seu comportamento online e o que altera sua conduta, eles têm acesso até aos seus sentimentos e o seu coração. É algo semelhante às igrejas. Mesmo quando as pessoas saem dessas instituições, continuam se sentindo monitoradas. Isso influencia nas atitudes delas”, avalia.

Segundo dados da International Data Corporation (IDC), um terço dos dados de todo o mundo estão armazenados nos Estados Unidos. Isso inclui conversas de e-mails, dados bancários e informações de governos.

Massas

Para o estudante de jornalismo e militante do Levante Popular da Juventude do Rio Grande do Norte, Kennet Anderson, 19, que fez uma pergunta a Assange sobre meios de comunicação seguros e programas alternativos, é necessário que, num momento de transformação profunda da sociedade, a juventude esteja articulada com as massas.

“Precisamos nos valer de uma comunicação que fuja do controle de setores imperialistas e dos setores conservadores do Brasil”, aponta.

O ciberativista explicou que são poucos os países capazes de desenvolver essas “tecnologias alternativas”. Existem, por exemplo, propostas como o Signal e o Telegram, que possuem pouca adesão, mas que lidam com criptografia e segurança. Para ele, países com uma população muito numerosa são esses potenciais “viralizadores”.

“Na Rússia, existe o VKontakte (VK), na China eles possuem uma alternativa ao Twitter, e o Brasil tem grande capacidade de desenvolver redes assim, por ser um país imenso e por possuir milhões de falantes da língua portuguesa”, afirma Assange em resposta ao estudante brasileiro Kennet.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

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https://www.brasildefato.com.br/2018/01/11/equador-concede-cidadania-a-julian-assange-para-fortalecer-a-protecao-ao-jornalista/

 

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